Existe uma verdade silenciosa que a gente costuma ignorar: a vida segue exatamente o caminho daquilo que permitimos que fique. Pessoas, relações, hábitos, ambientes, objetos. Nada é neutro. Nada está ali “só porque sim”.
O que permanece ao nosso redor constrói, dia após dia, a direção da nossa história.
A gente fala muito sobre metas, sonhos, futuro. Mas quase nunca para pra olhar com atenção para o presente, para o que ocupa espaço na nossa casa, no nosso quarto, na nossa rotina e, principalmente, na nossa cabeça. E quando faltam símbolos claros do que queremos ser, do que buscamos, do que acreditamos, a vida entra num modo estranho de confusão silenciosa. A gente segue vivendo, mas sem referência. Sem norte.
Esses dias aconteceu algo simples, mas revelador. Em um móvel aqui de casa havia várias garrafas de bebidas alcoólicas. Olhei aquilo e pedi pra minha mãe tirar tudo ou, pelo menos, diminuir a quantidade.
Ela me perguntou, com a naturalidade de quem não vê problema algum: “Mas por quê, meu filho?”
E eu respondi sem pensar muito: “Porque isso não representa quem somos. Nem o nosso lar.”
Eu gosto de beber. Não sou moralista, não sou hipócrita. A bebida faz parte da minha vida social, de encontros, de momentos específicos. Mas aqui em casa nunca tivemos o hábito de abrir cerveja e ficar bebendo. Nunca foi um símbolo da nossa história, da nossa rotina, da nossa identidade. Então por que aquilo estava ali, ocupando espaço, criando uma imagem que não nos pertence?
Às vezes, sem perceber, a gente vai aceitando símbolos que não nos representam. Pessoas que já não fazem sentido. Relações que drenam. Ambientes que confundem. Objetos que contam uma história que não é nossa. E o problema não é a coisa em si, é o que ela comunica, diariamente, para o nosso inconsciente.
A casa fala. O quarto grita. O que está à nossa volta reafirma quem somos ou nos empurra para versões que não escolhemos conscientemente.
O fim de um ano não é só sobre virar calendário. É sobre revisar permissões. Sobre entender que tudo o que ficou, ficou porque em algum momento foi tolerado. E o que toleramos molda a vida que levamos.
Talvez 2026 não precise começar com grandes promessas. Talvez comece com uma pergunta simples e honesta: Isso aqui me representa?
Se a resposta for não, talvez já seja hora de tirar, reduzir, encerrar, reorganizar. Porque o que você deixa ficar não só ocupa espaço, ele aponta o caminho.


















































Não dou mais bebida de aniversário! Hahahaha
Tudo muita verdade.
Permissividade e liberalidade!