Foz do Iguaçu vive mais um daqueles capítulos em que ninguém discute o “se”, mas sim o “como”.
Porque, veja bem: ninguém está questionando que os servidores têm valores a receber. Eles têm. E não é pouca coisa. São mais de R$ 31 milhões acumulados ao longo de anos, promoções, progressões, adicionais, direitos reconhecidos… mas que ficaram ali, no papel, esperando virar dinheiro de verdade.
A Prefeitura fez o que, à primeira vista, pareceu razoável: organizou um parcelamento, colocou na mesa um cronograma, tentou dar previsibilidade tanto pra quem vai receber quanto pra quem precisa pagar. Em tempos de contas apertadas, não é exatamente simples abrir o cofre e resolver tudo de uma vez.
Só que aí entra aquele detalhe que, no serviço público, não é detalhe: a forma.
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná olhou para o decreto e disse, basicamente: “ok, a dívida existe, o parcelamento pode até existir… mas desse jeito, não”. Faltou o principal, uma lei aprovada pela Câmara. Porque, quando se trata de remuneração de servidor, não basta boa vontade ou organização interna. Precisa passar pelo rito certo.
E é aí que a história ganha um novo capítulo. A atual gestão não negou o problema. Pelo contrário. O discurso segue firme: pagar o que é devido, com responsabilidade e dentro da realidade financeira do município. E, nesse cenário, entra uma figura que merece atenção, o Procurador-Geral do Município, Idelson Chaves.
Sem fazer alarde, mas também sem se esconder, ele já sinaliza o caminho: se o entendimento do Tribunal se consolidar, o município vai ajustar a rota e encaminhar o projeto de lei. Simples assim. Ou pelo menos, tão simples quanto a burocracia permite.
E aqui vale um ponto importante, e justo. Diferente de outros tempos, em que a Procuradoria muitas vezes aparecia mais como freio do que como solução, hoje se percebe uma disposição diferente. Há um esforço de construir saída, não apenas apontar problema.
Não se trata de passar pano. O erro técnico existe, foi apontado e precisa ser corrigido. Mas também não dá pra ignorar quando há boa vontade em resolver, principalmente em um cenário herdado, com pendências que não nasceram agora.
No fim das contas, o que está em jogo é algo bem direto: pagar quem tem direito, do jeito certo. Nem só com decreto. Nem só com discurso. Mas com lei, responsabilidade e, principalmente, compromisso.
Porque dever já estava claro. Agora, é fazer do jeito que a lei manda, e seguir em frente.
















































