Foz do Iguaçu ocupa a primeira posição entre os municípios paranaenses com 100 mil habitantes ou mais em um índice que reúne sete tipos de violência contra a mulher.
A cidade atingiu 79 pontos, em uma escala de zero a 100, conforme estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) com dados referentes ao período de 2019 a 2025.
No ranking que considera todos os 399 municípios do Paraná, Foz aparece na 15ª colocação e é o único município de grande porte entre os 20 primeiros.
O levantamento foi elaborado pela Coordenadoria de Auditorias (CAUD) do TCE-PR a partir de informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-PR) e de dados geográficos disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em todo o Paraná, foram registradas cerca de 688 mil ocorrências de violência contra a mulher entre 2019 e 2025. No mesmo período, 68% dos municípios paranaenses tiveram ao menos uma morte violenta de mulher registrada.
Foz no topo entre as grandes cidades
No recorte dos 24 municípios paranaenses com população igual ou superior a 100 mil habitantes, Foz do Iguaçu, com população de 297.352 habitantes considerada no levantamento, obteve o maior índice, de 79,0. Paranaguá aparece em segundo, com 75,1, seguida por Araucária, com 70,4.
Francisco Beltrão ocupa a quarta posição nesse recorte, com índice de 69,8, enquanto Cascavel aparece em quinto, com 69,7. Na sequência estão Piraquara, com 69,6; Almirante Tamandaré, com 66,1; Ponta Grossa, com 65,2; e Colombo, com 61,9.
A posição de Foz também ganha destaque quando são considerados os 399 municípios do estado. A cidade está em 15º lugar na classificação geral, enquanto Paranaguá ocupa a 24ª posição, Araucária a 40ª, Francisco Beltrão a 43ª e Cascavel a 44ª.
Entre os 20 primeiros colocados no ranking estadual, nove municípios pertencem à região geográfica intermediária de Cascavel, que abrange o Oeste, o Sudoeste e parte do Centro-Sul. Outros seis integram a região intermediária de Curitiba, que inclui o Litoral e o entorno da capital.
Como o índice foi calculado
Para permitir a comparação entre municípios de diferentes portes, a equipe técnica criou um índice que reúne sete modalidades de violência em uma única pontuação, dentro de uma escala de zero a 100.
Foram considerados registros de violência doméstica, estupro e violência sexual, exploração sexual, feminicídio consumado, feminicídio tentado, homicídio doloso consumado e homicídio doloso tentado. Cada modalidade foi calculada como taxa por 100 mil habitantes, com peso maior para os casos letais.
O estudo avaliou três cenários: a classificação geral dos 399 municípios; o grupo de 69 cidades com 30 mil habitantes ou mais; e o recorte dos 24 municípios com pelo menos 100 mil habitantes.
No ranking geral, Matinhos ocupa a primeira posição, com índice 100,0, seguido por Pontal do Paraná, com 96,3, e Bocaiúva do Sul, com 94,2.
Entre as cidades com 30 mil habitantes ou mais, Matinhos e Pontal do Paraná também permanecem nas duas primeiras posições, enquanto Paranaguá aparece em oitavo lugar, com 75,1.
O levantamento teve como objetivo subsidiar a escolha de municípios para auditorias operacionais sobre as políticas públicas locais de enfrentamento à violência contra a mulher.
As fiscalizações começaram no ano passado. Ao todo, 12 municípios foram visitados por auditoras do TCE-PR, sendo seis em 2025 e outros seis neste ano.
Foz do Iguaçu está entre as cidades selecionadas, ao lado de Guarapuava, Ponta Grossa, Paranavaí, Apucarana, Francisco Beltrão, Araucária, Almirante Tamandaré, Campo Largo, Cascavel, Paranaguá e Pato Branco.
Cenário estadual e limitações dos dados
A análise espacial identificou diferentes concentrações territoriais de violência no Paraná. Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Morretes formam o único agrupamento considerado robusto para homicídio doloso consumado.
Já os registros de violência doméstica apresentam concentrações em diferentes regiões, enquanto o Centro-Sul concentra os maiores registros de estupro.
Na análise das tendências entre 2019 e 2025, os registros de estupro apresentaram crescimento sustentado nas seis regiões pesquisadas, passando de 5 para 9,6 casos por 100 mil habitantes ao ano.
A violência doméstica aumentou em cinco das seis regiões. Já as mortes de mulheres analisadas conjuntamente, considerando feminicídios e homicídios consumados e tentados, não apresentaram tendência de crescimento em nenhuma região.
Paranaguá foi o único município identificado simultaneamente nas concentrações territoriais de violência doméstica, estupro notificado e homicídio.
No caso dos estupros, entretanto, essa presença está relacionada a um padrão de baixa notificação em comparação com municípios vizinhos que apresentam taxas maiores.
O TCE-PR ressalta que os resultados precisam ser interpretados com cautela. A auditora de controle externo Camila Ribeiro Felix explicou que indicadores construídos a partir de registros administrativos podem refletir tanto uma maior incidência de violência quanto uma maior capacidade das instituições de acolher as vítimas e registrar as ocorrências.
A análise, portanto, não deve ser interpretada isoladamente como uma avaliação da gestão municipal ou como uma representação direta da violência efetivamente existente.
Os dados consideram os casos registrados, o que significa que índices menores também podem estar associados à subnotificação.


















