A gente vai se esquecendo pelo caminho, quase sem perceber. Não é escolha, é mecanismo de defesa. Quando a dor vira rotina, o corpo aprende a seguir mesmo ferido, a sorrir por educação, a responder mensagens no automático, a fingir que está tudo bem.
Só que, quando finalmente olhamos pra trás, o cenário é outro: destroços espalhados por uma estrada que a gente insistiu em chamar de amor.
Não tem como voltar e recolher tudo. Não dá pra juntar cada palavra engolida, cada limite ultrapassado, cada vez que a gente se diminuiu pra caber no mundo de alguém. O passado não se reorganiza. Ele apenas ensina.
Mas existe continuação. E continuar, muitas vezes, é um processo lento de cura. É aprender a seguir enquanto se reconstrói, mesmo sem ter certeza de como vai ficar.
Cada vez que a gente se esquece de si, uma luz se apaga no próprio caminho. E não porque somos fracos, mas porque amar demais, por muito tempo, também cansa, confunde e embaça a visão.
Por isso, tantas vezes, a dificuldade não está em sair, mas em enxergar. Enxergar que o que dói todos os dias não é amor. Que o que exige o seu silêncio não é cuidado. Que insistir não é o mesmo que resistir.
Cuidar da gente mesmo é, talvez, a maior prova de amor pela vida. É entender que não é preciso sangrar para provar sentimento, nem se anular para manter alguém por perto.
Quem se cuida, se ama. E quem se ama impõe respeito, coloca limites, fecha portas e acende luzes. Segue, mesmo com cicatrizes, porque reconstruir-se também é um ato de coragem. E, às vezes, a forma mais bonita de amor é não se abandonar.
















































