Todo mundo corre. Eu corro também. Corro pra chegar no horário, corro pra resolver pendência, corro até quando não sei exatamente pra onde estou indo. A cidade empurra a gente pra frente como se parar fosse proibido.
No meio do caminho, vejo cenas que duram segundos, mas dizem muito. Gente pedindo informação e recebendo silêncio. Um senhor falando sozinho no ponto de ônibus enquanto todo mundo finge mexer no celular. Alguém tropeça e, antes da ajuda, vem o olhar de impaciência. Ninguém tem tempo. Eu, muitas vezes, também não.
Outro dia, percebi que passei por alguém conhecido e só cumprimentei com a cabeça, automático, quase educado demais pra ser humano. Não era falta de carinho, era pressa. A pressa que rouba o olhar, o interesse, a escuta. A pressa que transforma gente em obstáculo.
A empatia virou um luxo que a rotina diz que não cabe na agenda. A gente promete responder depois, ouvir depois, sentir depois. Mas o depois quase nunca chega. Chega só o cansaço.
No fim do dia, quando tudo desacelera, bate a sensação estranha de ter estado em muitos lugares sem realmente estar em lugar nenhum. Talvez porque, correndo tanto, eu, e todo mundo, tenha esquecido de fazer o mais simples: olhar pro lado.
E às vezes, é ali que está tudo.















































