Existe um tipo muito específico de coragem: a coragem de pegar um avião. Mala pronta, discurso ensaiado, celular carregado para as fotos estratégicas e destino: São Paulo. Lá, no meio da multidão, o grito ecoa forte: “ACORDA BRASIL!”
Bonito. Impactante. Filmável.
Enquanto isso, em Foz do Iguaçu, merendas com data vencida chegam aos CMEIs e mães se perguntam se o lanche da tarde vem com suco ou com risco.
Mas isso não rende palco nacional. Não dá trending topic. Não vira bandeira tremulando ao vento.
Talvez o Brasil precise mesmo acordar. Mas Foz, pelo visto, pode continuar tirando um cochilo administrativo. Porque o patriotismo de aeroporto é confortável. Ele não tem fila, não tem cheiro de cozinha escolar, não tem diretora preocupada explicando fornecedor, não tem criança perguntando se pode repetir. Ele tem microfone. Tem selfie. Tem legenda inflamada.
Difícil mesmo é ficar. É bater na porta do CMEI e perguntar, olho no olho: “Está tudo certo com a comida?” Difícil é trocar o grito genérico pela cobrança específica. Trocar a capital financeira do país pelo bairro que elegeu você.
Entre acordar o Brasil e cuidar de Foz, escolheram o eco mais alto.
E assim seguimos: o país sendo convocado a despertar, enquanto a cidade que paga a passagem continua esperando alguém apagar a luz da negligência.
Afinal, gritar longe é fácil. Governar perto é que exige coragem.















































