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Home Opinião - Artur Jocteel

Cachorrinho que caiu da mudança

Um paralelo entre EUA e Brasil, EUA e Venezuela e EUA e Iraque (2000).

Artur Jocteelpor Artur Jocteel
3 de janeiro de 2026
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Foto: Imagem ilustrativa gerada com auxílio de IA.

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Maduro caiu e este é o início do fim daquele regime abusivo e ditatorial que dá a cara dos intentos bolivarianos para a América Latina.

É extremamente delicado falar do que está acontecendo e o que há de vir. Nunca é uma análise simples, pois é uma situação multifacetada.

Semanas atrás comentei que o “recuo” americano em relação à Magnitsky e Alexandre de Moraes não era por uma questão meramente comercial, embora os mais otimistas ou os mais conspiradores dissessem que era uma estratégia ou um cerco.

Sempre me defino como cético, para outros sou teimoso. Sou algumas vezes um Tomé que precisa ver para crer. Outra premissa que sempre busco respeitar e induzo todos quanto eu posso a praticar é o exercício de olhar para o retrovisor da história para entender os fatos atuais. Isto diz muito.

Quando olho o que aconteceu semanas atrás entre o Brasil e os Estados Unidos, a Magnitsky e o parvo-ditador brasileiro Moraes e vejo hoje o regime sanguinário e assassino de Maduro na Venezuela ruindo, minha memória me leva obrigatoriamente, mais uma vez à década de 2000 quando o – mais um deles – abusador dos direitos humanos, Saddam Hussein, foi perseguido, capturado, julgado, sentenciado e morto.

Confesso que este paralelo entre EUA e Brasil, EUA e Venezuela e EUA e Iraque carece de uma análise muito mais minuciosa e profissional do que sou capaz de realizar, mas também não sou orgulhoso.

Se a partir desta ideia lançada por mim, caso alguém capaz deseje, poderá aprofundar esta abordagem que serei o primeiro a querer lê-la.

Observo que algo crucial no caso Saddam Hussein em 2003, uma simultaneidade de acontecimentos propiciou a ação norte americana em solo Iraquiano, contra o líder maior da ditadura. Além de questões de segurança e comercial, houve interesse de intervenção americana por parte de iraquianos.

Sempre digo que políticos falam mais por fotos, votos, projetos, à fala propriamente dita. Palavras iludem, ações não.

Sendo bem resumido, quando os EUA, sinalizaram o interesse em derrubar a ditadura de Saddam, o “sistema” iraquiano entendeu o sinal e mesmo sob riscos reais de morte, se mobilizou, discretamente se preparou, se organizou e preparou a “cama de gato” pra Saddam.

Prova disto é que assim que os Estados Unidos capturaram o autêntico genocida, entregaram o crápula nas mãos do Judiciário Iraquiano que tratou de lavar a alma de milhões de mortos sob o regime perverso do psicopata, o conduzindo à morte por enforcamento. Muitos, se pudessem, voltaria Saddam à vida só para enforcá-lo novamente.

Como bem dizia Olavo de Carvalho, quando alguém assume o mandato, este alguém deve garantir que tudo permita que ele exerça o poder. Naquele tempo, o judiciário iraquiano era de Saddam.

Totalmente aparelhado e submisso às mais diversas ordens absurdas, contudo internamente o sistema iraquiano se organizou para que os EUA não entregassem Saddam nas mãos de seus comparsas, sob o risco de livrarem o ditador e continuar a sangria.

Isto também não é por acaso.

O Tio Sam (EUA) se certificou de que o judiciário não era mais vassalo do ditador e assim, passaram à responsabilidade ao judiciário iraquiano de julgar e condenar o genocida.

Entre tantas razões, os EUA passaram a responsabilidade ao sistema iraquiano para não dar lado à narrativas de que o povo iraquiano não queria a deposição de Saddam Hussein, que o sistema não queria o fim da ditadura ou outra narrativa porcamente construída.

Agora, o que percebo no caso Venezuela? Desde a última eleição fraudulenta — SIM, FRAUDULENTA — o povo venezuelano demonstrou que não confia no sistema eleitoral, que não se pode confiar em eleições sem escrutínio público e que não queria mais aquele regime abusivo. Começa desde então um avanço americano contra a ditadura bolivariana da Venezuela.

Por isso apenas os EUA avançaram? De modo algum.

Os americanos observaram o tabuleiro e viram a China crescendo comercialmente na região, a Rússia no empasse com a Ucrânia, que com certeza negociou com os EUA sobre esta escalada em troca de não se meter diretamente no conflito com a Ucrânia, viram ainda quantos americanos são ceifados pelas drogas vindas do Cartel de los Soles de Maduro, também avançaram porque internamente a oposição à Maduro se organizou e se manteve firme e intransigente.

Não houve negociações dentro de nenhuma linha da constituição venezuelana, não teve negociação em troca de cargos e ministérios.

Embora a vice-presidente de Maduro esteja vociferando como uma cadela raivosa e o comandante do exército esteja pedindo socorro à comunidade internacional, a Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, a figura máxima da oposição venezuelana já sinalizou que a oposição está pronta para assumir o poder e você sabe o que vai acontecer? Corina assumirá o poder. Seja ela ou outro da oposição, mas assumirão.

E assim que assumir, tomara Deus que tratem de enjaular cada um dos opositores pelos crimes que cometeram, logo nos primeiros dias de governo.

Este deve ser o primeiro item do Plano. Nacional.

Seguindo para o fim da análise, me questiono: qual razão dos americanos terem ido até o fim no Iraque, estar indo ferrenha e heroicamente até o fim na Venezuela, mas ter, in thesis, recuado na questão brasileira?

Logicamente que este divórcio como todos, não tem um único fator para o término. Pode envolver questões políticas, econômicas, diplomáticas, mas quero destacar que a inoperância do sistema dentro do Brasil pode ter levado o governo americano a recuar neste momento. Creio que seja um recuo e não uma desistência.

Pela interpretação que faço, o sistema se comunicou extremamente mal com os americanos.

O sistema que lacra muito no Brasil, enche as redes de reels, decidiu sentar-se à mesa, negociar com a ditadura e aceitou calado a travestida ditadura com nome artístico de dosimetria, enquanto o sistema deveria ter se organizado em direção inegociável da anistia.

Se tivesse o sistema político brasileiro obstruído os trabalhos legislativos, feito pressão popular nos braços da ditadura brasileira, talvez nosso destino seria diferente. Mas não… enquanto os americanos sancionaram Alexandre de Moraes, o sistema deixou a pressão aos presidentes da câmara e senado de lado, sinalizando claramente um conformismo com o que está posto.

Enquanto taxas foram impostas por questões claramente ideológicas e comerciais, por oposição com a China, os brasileiros educadinhos pela vovó faziam cara de paisagem e diziam que esta taxação é muito ruim para o Brasil. Caíram na narrativa de que outrora defendemos tanto a soberania nacional, mas agora pedimos intervenção estrangeira e ninguém com culhão respondeu à altura.

Posso estar enganado, pois não entendo de bastidores (rs), mas é o que tenho percebido. O Brasil, o sistema, a oposição não quiseram e demonstram não querer ajuda estrangeira.

Mas como diz o ditado, “a água bateu na bunda” de todo regime bolivariano e até o fantoche Lula reuniu-se após a captura de Maduro.

Acredito que o medo seja de que Maduro abra a boca e conte os relacionamentos obscenos entre o tráfico brasileiro e o tráfico venezuelano, em benefício do conglomerado do Foro de São Paulo e do Grupo de Puebla.

Mesmo o sistema político brasileiro tendo sido covarde, me alegro com a conquista venezuelana e espero que toda esquerda narcotraficante da América Latina esteja assistindo este capítulo com cara de terror enquanto Maduro segue com cara de cachorrinho que caiu da mudança.

As opiniões expressas neste texto não representam, necessariamente, a posição editorial do Diário das Águas.

Fonte: Artur Jocteel
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Artur Jocteel

Artur Jocteel

Servidor da Segurança Pública, ativista político e líder de movimentos sociais. Atua à frente de iniciativas como a Marcha da Família Cristã pela Liberdade e o Movimento Conservador Estudantil.

Com a palavra, Artur Jocteel

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