A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) iniciou, durante o Outubro Rosa, a distribuição de mais de 300 mil testes moleculares de DNA-HPV aos municípios paranaenses. O exame será adotado gradualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) em substituição à citologia convencional, conhecida como Papanicolau.
Até o momento, 29.100 kits foram repassados. A nova testagem já é utilizada em 38 cidades e está em implantação em outros 217 municípios. A meta é alcançar 255 municípios do Paraná até o fim de 2026.
Segundo a Sesa, o teste de DNA-HPV tem entre 60% e 70% mais capacidade de identificação do câncer do colo do útero. O método apresenta maior sensibilidade para localizar lesões precursoras da doença, favorecendo o diagnóstico precoce e a redução da incidência e da mortalidade.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) farão busca ativa de mulheres com idade entre 25 e 64 anos, conforme orientação do Ministério da Saúde. Para resultados negativos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a realização do exame a cada cinco anos.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirmou que o exame oferece maior sensibilidade e precisão para a detecção precoce do câncer do colo do útero. Durante a transição, os exames de Papanicolau continuam disponíveis em toda a rede de saúde.
Implantação gradual no SUS
O Paraná integra o programa federal e esteve entre os 12 estados selecionados, em outubro de 2025, para a fase piloto de implantação do DNA-HPV. O projeto começou em Curitiba e Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana, antes de ser ampliado.
A substituição do exame preventivo convencional ocorre de maneira gradual, planejada e pactuada no SUS. A distribuição dos testes é fracionada e monitorada mensalmente, de acordo com o ritmo de produção e o planejamento de cada território.
Para a implantação, 2,5 mil trabalhadores das unidades de saúde já foram capacitados. A Sesa também mantém parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), em Curitiba, responsável pelo processamento dos testes.
Carreta e vacinação reforçam prevenção
O Paraná trabalha para zerar os casos de câncer do colo do útero até 2030, conforme meta estabelecida pela OMS. Entre as estratégias está a Carreta Saúde da Mulher, que percorre o estado oferecendo mamografias, exames de Papanicolau, ultrassonografias de mamas, transvaginal e de tireoide, consultas médicas e, desde 2026, teleconsultas.
Em 2026, a unidade móvel realizou mais de 30 mil procedimentos preventivos e de diagnóstico, com atendimento direto a mais de 9 mil mulheres. Estão previstas 19 paradas em todas as regiões do Paraná, alcançando pacientes de mais de 95 municípios.
Outra medida é a vacinação contra o HPV para pessoas de 9 a 14 anos e também de 15 a 19 anos. A cobertura no Paraná está em 83,59% entre o público feminino e em 80,09% entre o masculino. Entre 2025 e junho de 2026, foram aplicadas 6.140 doses em pessoas de 15 a 19 anos.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero ocupa a quarta posição entre os tipos da doença que mais matam mulheres no Brasil, apesar de poder ser prevenido pela vacinação ou identificado precocemente por meio de exames.




















