Um episódio envolvendo o prefeito de Foz do Iguaçu, Joaquim Silva e Luna, e a diretora da Escola Municipal João da Costa Viana, Janaina, registrado na manhã do dia 29 de janeiro, no bairro Três Lagoas, passou a ser objeto de apuração após o registro de um boletim de ocorrência pela servidora e a divulgação de nota oficial da administração municipal.
O caso ocorreu por volta das 8h30, em uma praça localizada em frente à unidade escolar, onde o prefeito acompanhava uma ação de zeladoria urbana.
As versões apresentadas pela diretora e pela Prefeitura divergem quanto à condução do diálogo e ao comportamento adotado durante o encontro.
Relato apresentado no boletim de ocorrência
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela diretora, ela se dirigiu ao local após saber da presença do prefeito, acompanhada de outra servidora. Conforme o documento, a abordagem inicial teria sido cordial, com convite para que o chefe do Executivo visitasse a escola.
Ainda segundo o registro policial, ao comentar que a gestão da educação estaria difícil e mencionar seus 25 anos de serviço público, a diretora afirma que o prefeito teria reagido de forma ríspida, elevando o tom de voz, cerrando os punhos e aproximando-se fisicamente de maneira considerada intimidatória.
O relato aponta que a proximidade foi suficiente para que a servidora sentisse gotículas de saliva em seu rosto enquanto ele falava.
No boletim, a noticiante relata que foi interrompida ao tentar se explicar e que o prefeito teria afirmado frases como “sou eu que mando” e “não vou na sua escola”, além de fazer referência à permanência dela no cargo.
A diretora afirma ter se sentido constrangida, humilhada e coagida, além de manifestar receio de represálias funcionais e pessoais. O documento solicita ainda a requisição de imagens de uma câmera de monitoramento da Guarda Municipal instalada nas proximidades, que poderia ter registrado o episódio.
Posicionamento oficial da Prefeitura
Em nota encaminhada ao Diário das Águas, a Prefeitura de Foz do Iguaçu afirmou que não houve agressão no episódio. Segundo a administração, o que chegou ao seu conhecimento foi uma divergência de ideias ocorrida em espaço público, durante o acompanhamento de uma ação de zeladoria.
O texto destaca que a gestão acompanha o contexto dos fatos com cautela e responsabilidade institucional, ressaltando a importância do respeito às pessoas envolvidas e da correta compreensão do ocorrido.
A nota afirma ainda que algumas narrativas divulgadas apresentam o episódio de forma desproporcional em relação ao que efetivamente teria acontecido.
A administração municipal reforça que a política de proteção às mulheres é tratada como prioridade, citando a criação da Secretaria Municipal da Mulher, a implantação da Casa Abrigo, o avanço da Casa da Mulher Paranaense e o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha.
A Prefeitura informa que permanece à disposição para prestar esclarecimentos por meio de seus canais oficiais.
Apuração e próximos passos
O caso envolve versões distintas apresentadas pelas partes e, até o momento, não há conclusão oficial sobre os fatos relatados.
O boletim de ocorrência informa que, por se tratar de crime de ação penal pública condicionada à representação, a noticiante deverá formalizar eventual representação criminal junto à autoridade policial, caso decida prosseguir.

















