Era para ser simples: escola como lugar de aprendizado, professores como guias, crianças como exploradoras do mundo. Mas em Foz do Iguaçu a lógica foi sequestrada.
O IDEB, aquele índice que deveria medir avanços, virou um monstro de provas e metas. E como todo monstro, tem sua fome insaciável: devora noites de sono, engole o prazer de aprender e cospe crianças ansiosas.
Pais relatam filhos que acordam já de mau humor, com dor de cabeça, com medo da escola. Medo, veja bem. A escola, que deveria ser abrigo, virou ameaça. Não pelo quadro negro ou pelo giz, mas pelo excesso de simulados que transformou o ensino em linha de montagem: tudo igual, repetido, automático.
Professores, cansados, mandam mensagens quase de desabafo: “não consigo mais dar aula, só aplico teste atrás de teste”.
A missão de educar foi substituída pelo papel de fiscal de prova. E a sensação de impotência é tão cruel quanto a sobrecarga.
E o mais perverso: a obsessão não é pelo aluno. É pela nota. O decreto que prometeu prêmios gordos, sem orçamento, sem diálogo, sem respeito, revelou o verdadeiro objetivo: não é formar gente, é formar vitrine. A secretária quer aparecer, posar como “boa gestora”, mesmo que para isso precise pisar sobre a infância de uma geração.
A educação de Foz, até ontem se orgulhava de exibir notas comparáveis a países de primeiro mundo, hoje, a nova gestão parece confundir educação com gincana. Como se o objetivo fosse ganhar troféu para sair bem na foto, e não formar gente, crianças caminham para uma adolescência com crise de ansiedade, aversão à escola e sensação de fracasso? Que gestão é essa que adoece um município vitorioso nesse aspecto?
A verdade é dura: viramos reféns de uma lógica do espetáculo. Importa o número, a manchete, a foto no jornal. O resto? O resto que se vire. E enquanto isso, pais assistem a um cenário que beira o absurdo: filhos desmotivados, professores engessados, gestores comemorando resultados que ninguém sente de verdade.
Educação não é sprint de 100 metros, é maratona de vida inteira. Mas aqui confundiram medalha com conhecimento. E estamos pagando caro: a infância sequestrada, a escola desfigurada, a sociedade enganada.
E lá vai Foz, ostentando índices de crianças cansadas e de professores silenciados. Uma cidade que, se continuar assim, vai ter notas altas no papel, e uma geração inteira reprovada na vida.