A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) alerta, durante a campanha Agosto Lilás, que a violência doméstica contra a mulher costuma se desenvolver gradualmente e pode começar com comportamentos sutis antes de avançar para agressões, crimes sexuais e feminicídio.
Reconhecer os primeiros sinais desse ciclo é uma das formas de buscar ajuda e interromper a progressão dos abusos.
A campanha de agosto é voltada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. A orientação também é para que familiares, amigos e colegas estejam atentos a mudanças de comportamento e possíveis sinais de que uma mulher esteja vivendo uma situação de abuso.
Violência pode começar de forma sutil
A evolução da violência pode ser representada pela imagem de um iceberg. Acima da superfície aparecem agressões explícitas e crimes graves, enquanto comportamentos abusivos menos evidentes permanecem na parte submersa.
Essa característica pode dificultar que a própria mulher reconheça, inicialmente, que está sendo vítima de violência.
Na primeira fase estão comportamentos associados à naturalização do desrespeito, como atitudes machistas, piadas que desvalorizam as mulheres e situações em que suas opiniões, vontades ou presença são constantemente ignoradas.
O ciclo pode avançar para a desestabilização emocional. Nessa etapa, surgem chantagens e humilhações, além de tentativas de responsabilizar a mulher pelos conflitos e pelas agressões sofridas.
Também pode ocorrer a distorção de acontecimentos com o objetivo de fazer a vítima questionar a própria memória e percepção dos fatos.
Controle e isolamento ampliam situação de risco
Com o avanço dos abusos, o controle pode atingir diretamente a liberdade da mulher. Entre os comportamentos estão a vigilância do celular, das redes sociais e das conversas, além do afastamento gradual de amigos e familiares.
O isolamento reduz a rede de apoio da vítima e pode ser acompanhado de intimidação, aumentando o medo e a dependência em relação ao agressor.
Em uma etapa posterior, a violência passa a ocorrer de maneira mais explícita. Ofensas diretas, ameaças contra a mulher ou seus familiares e perseguições nos locais frequentados pela vítima passam a integrar o ciclo.
Também podem ocorrer danos patrimoniais, como a destruição intencional de documentos, objetos pessoais e pertences de valor afetivo.
A escalada pode chegar às agressões físicas graves, incluindo empurrões, socos e espancamentos, além de crimes sexuais, como estupro, e, no estágio mais grave, ao feminicídio.
Ciclo pode se repetir após agressões
A dinâmica da violência não necessariamente segue uma progressão única. Depois de episódios mais intensos, o agressor pode demonstrar arrependimento, adotar comportamentos românticos e prometer mudanças, período conhecido como fase de “lua de mel”.
Essa trégua pode alimentar na vítima a expectativa de melhora na relação. Posteriormente, porém, os comportamentos abusivos podem retornar, fazendo com que o ciclo seja reiniciado e volte a avançar.
A orientação é para que os sinais sejam observados tanto pela própria mulher quanto por pessoas próximas. Medo, vergonha e insegurança podem dificultar a busca por ajuda, tornando o acolhimento da rede de apoio importante para a interrupção do ciclo.
Onde procurar ajuda
Em situações de intimidação, ameaça ou violência, a denúncia pode ser feita de forma sigilosa em qualquer Delegacia de Polícia Civil. Nos casos de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
O telefone 180 também está disponível para orientações e informações relacionadas à violência contra a mulher.

















