O Paraná registrou índice geral de 0,734 no Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F), desenvolvido pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo Datafolha, conforme resultado divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026.
O levantamento analisa a relação entre os recursos disponíveis aos governos estaduais e os resultados obtidos na prestação de serviços públicos, considerando indicadores de educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças referentes aos anos de 2024 e 2025.
O estudo abrangeu 26 unidades da Federação e atribuiu ao Paraná a primeira posição no resultado geral, seguido por Ceará, com índice de 0,665, São Paulo, com 0,637, e Santa Catarina, com 0,612.
A metodologia utiliza a receita corrente líquida per capita de cada estado para avaliar a relação entre os recursos financeiros e os resultados dos serviços oferecidos à população.
As áreas de educação e saúde recebem peso dobrado no cálculo final, considerando os percentuais mínimos de aplicação de recursos estabelecidos pela Constituição Federal.
Indicadores da saúde pública
Na área da saúde, o Paraná registrou índice de 0,677, diante da média nacional de 0,494, ocupando a terceira posição entre os estados avaliados pelo levantamento.
Entre os indicadores considerados estão a disponibilidade de profissionais e leitos hospitalares, a mortalidade infantil e a cobertura da atenção primária à saúde.
Os dados apontam que o Paraná possui 3,26 médicos por mil habitantes e 163,18 leitos hospitalares por 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade infantil registrada foi de 10,7 óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidos vivos.
A cobertura da atenção primária à saúde alcançou 91,65% no período analisado pelo ranking.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, atribuiu os resultados ao processo de organização da rede pública, à ampliação dos serviços e à regionalização do atendimento.
Entre as ações mencionadas pelo secretário estão a construção de 20 novos hospitais e a implantação de Ambulatórios Médicos de Especialidades, Unidades Mistas de Saúde e unidades de pronto-atendimento municipais.
Investimentos e ampliação dos atendimentos
No primeiro quadrimestre de 2026, o Governo do Paraná destinou R$ 2,9 bilhões à saúde, valor equivalente a 15,01% da Receita Líquida de Impostos. O percentual supera o mínimo constitucional de 12% estabelecido para os estados.
O orçamento total destinado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para o exercício de 2026 ultrapassa R$ 10 bilhões.
Ainda neste ano, a cobertura populacional da atenção primária alcançou 96,49%, indicador que considera o acesso aos serviços básicos de saúde nos municípios paranaenses.
Na assistência hospitalar, o programa Opera Paraná foi utilizado para ampliar a realização de cirurgias eletivas. Durante o primeiro quadrimestre, a fila de pacientes que aguardavam esses procedimentos na Central de Acesso à Regulação do Paraná (Care-PR) apresentou redução de 44%.
No mesmo período, a fila de consultas e exames especializados registrou diminuição de 32%.
Os indicadores da saúde materno-infantil mostram que 88,9% das gestantes realizaram sete ou mais consultas de pré-natal. A cobertura da triagem neonatal com os quatro testes previstos chegou a 95,88%, acima da meta de 95%.
Regionalização dos serviços de saúde
A organização regional da assistência integra as ações desenvolvidas pelo Governo do Paraná para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.
A estratégia contempla o fortalecimento da atenção primária, a oferta de consultas e procedimentos especializados e a ampliação da capacidade de atendimento hospitalar em diferentes municípios.
A distribuição dos serviços busca reduzir a necessidade de deslocamentos para centros urbanos como Curitiba, Maringá, Londrina e Foz do Iguaçu, permitindo que os atendimentos sejam realizados em unidades mais próximas da população.
O secretário César Neves afirmou que a continuidade dos investimentos e a atuação conjunta com os municípios fazem parte das medidas adotadas para ampliar o acesso à rede pública.
Avaliação da população sobre a saúde pública
Além dos indicadores administrativos e assistenciais utilizados no Ranking de Eficiência dos Estados, uma pesquisa Genial/Quaest apresentou dados sobre a percepção dos moradores em relação aos serviços públicos de saúde no Paraná.
No levantamento, 43% dos entrevistados avaliaram positivamente a saúde pública estadual, enquanto 37% classificaram os serviços como regulares e 20% apresentaram avaliação negativa.
A pesquisa de percepção considera a opinião da população sobre os serviços oferecidos, enquanto o ranking da Folha e do Datafolha utiliza indicadores de desempenho e informações financeiras para analisar a eficiência da administração pública.
Os dois levantamentos apresentam, portanto, recortes distintos sobre o funcionamento da rede estadual de saúde.
Os resultados do REE-F correspondem aos indicadores de 2024 e 2025, enquanto os dados de investimentos e ampliação dos atendimentos apresentados pelo Governo do Paraná se referem ao exercício de 2026.

















