Milhões de mulheres convivem diariamente com dores intensas, limitações na rotina e dificuldades para obter o diagnóstico e o tratamento da endometriose. Muitas enfrentam uma longa jornada até descobrir a causa dos sintomas, que frequentemente são confundidos com cólicas menstruais comuns ou tratados como algo natural da vida feminina. Diante desse cenário, o acesso à informação, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento especializado é fundamental para evitar o agravamento da doença e reduzir o sofrimento das pacientes. Com o objetivo de conhecer a assistência oferecida a essas mulheres, a vereadora Yasmin Hachem (PT) apresentou o requerimento nº 827/2026, que solicita informações sobre as políticas públicas e os serviços disponibilizados pelo município para mulheres com suspeita ou diagnóstico de endometriose.
A proposta, apresentada na Câmara de Foz, busca identificar como funciona o atendimento na rede municipal de saúde, desde os primeiros sinais da doença até o encaminhamento para especialistas e a realização de tratamentos de maior complexidade.
“Quando tratamos a endometriose de forma antecipada, os reflexos na qualidade de vida da mulher são enormes. Além disso, após o diagnóstico, existem tratamentos complementares à medicação que são essenciais para garantir uma saúde de qualidade. Defendo que a saúde da mulher seja o centro da atenção da saúde pública, tanto no município quanto no estado do Paraná”, comentou a vereadora Yasmin Hachem.
Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 7 milhões de mulheres sofrem com a endometriose no Brasil. Trata-se de uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio — que reveste o interior do útero — fora da cavidade uterina. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais incapacitantes, dores pélvicas persistentes, desconforto durante as relações sexuais e, em alguns casos, dificuldades para engravidar. Além da dor física, a doença pode comprometer a qualidade de vida, prejudicar a rotina de trabalho e os estudos, afetar os relacionamentos e provocar impactos emocionais.
Nesse contexto, o requerimento busca esclarecer quais medidas estão sendo adotadas pelo município para garantir que mulheres com suspeita ou diagnóstico de endometriose recebam atendimento adequado, acompanhamento contínuo e encaminhamento oportuno. O objetivo é contribuir para que a doença seja reconhecida como uma questão relevante de saúde pública, fortalecendo a assistência e ampliando o cuidado com as mulheres que convivem com essa condição.
Diagnóstico e fluxo de atendimento
Entre os pontos questionados estão a existência de protocolos específicos para a doença, o fluxo de atendimento nas unidades de saúde, os exames disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o tempo médio de espera por consultas com ginecologistas, exames de imagem e tratamentos especializados.
O pedido também solicita dados dos últimos três anos sobre o número de pacientes atendidos, além de informações sobre a capacitação dos profissionais da Atenção Primária para reconhecer os sintomas e encaminhar os casos. Outro ponto é a existência de demanda reprimida por consultas, exames, procedimentos e cirurgias relacionadas à doença.
Casos complexos e conscientização
O requerimento questiona se a rede pública conta com profissionais capacitados para acompanhar casos de endometriose profunda, que podem atingir órgãos como intestino, bexiga, ureteres e rins. Também busca informações sobre a existência de atendimento multidisciplinar e parcerias com o Estado, hospitais de referência, universidades e outras instituições.
A justificativa do pedido relata também que o caso de uma paciente diagnosticada em estágio avançado, com comprometimento do ureter e perda da função de um dos rins, além da identificação da doença no intestino e em outras regiões do aparelho reprodutor. A situação é apresentada como exemplo da importância do diagnóstico precoce e do acesso oportuno a especialistas.




















