Dizem que todo reinado começa com um discurso forte. O de Anice Gazzaoui veio acompanhado de algo mais: um exército. Chamava-se G9. Nove vereadores que, em tese, surgiam como uma muralha contra o governo de Joaquim Silva e Luna. Era barulho, era promessa, era enfrentamento. Era, acima de tudo, expectativa.
Mas expectativa, na política, costuma ter prazo de validade. O tempo passou, e o que era oposição virou negociação. O que era enfrentamento virou acomodação. E o G9, que nasceu como grupo, foi lentamente se transformando em um balcão.
Cargos foram surgindo. Espaços foram sendo ocupados. Aliados foram sendo contemplados. E, curiosamente, quanto mais gente era “encaixada”, menos o grupo incomodava. A crítica foi ficando tímida. A fiscalização, seletiva. O discurso, conveniente.
Até que um dia… sumiu. Não houve anúncio oficial, nem despedida dramática. O G9 simplesmente evaporou. Como miragem em dia quente.
E no meio desse deserto político, ficou ela. A rainha. Sem corte, sem exército, sem reunião marcada. Hoje, Anice Gazzaoui já não consegue sequer reunir aquilo que um dia liderou. O grupo que ajudou a criar, e a esvaziar, virou lembrança.
Porque na política, diferente dos contos de fadas, não basta conquistar o trono. É preciso sustentar o reino.
E quando o poder é construído à base de conveniência, ele cobra, mais cedo ou mais tarde. Cobra em silêncio. Cobra em ausência. Cobra em isolamento.
No fim, sobra o título. Mas sem povo, sem aliados e sem voz… título nenhum governa. Só ecoa.
















































