As previsões de intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses colocaram a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná em alerta para o risco relacionado à dengue, zika e chikungunya.
O evento climático começou de forma mais amena em junho e levou a pasta a reforçar junto à população a necessidade de ampliar os cuidados contra as doenças.
Dados oficiais dos anos epidêmicos de 2016, 2019, 2020 e 2024 apontam uma correlação direta entre o El Niño e o aumento de casos e mortes por dengue no Paraná.
Histórico de mortes
Em 2016, o Estado contabilizou 62 mortes por dengue. Em 2019, foram 34 óbitos, enquanto 2020 registrou 194. O maior número entre os períodos apresentados ocorreu em 2024, quando 738 pessoas morreram em decorrência da doença no Paraná.
Embora o cenário relacionado ao El Niño tenha motivado o reforço do alerta, as ações de prevenção e monitoramento das arboviroses são realizadas de forma permanente no Estado.
Atualmente, cerca de 90% dos municípios paranaenses fazem monitoramento sistemático por meio de ovitrampas. Ao todo, 32.614 armadilhas estão instaladas no Paraná.
Distribuídos a cada 300 ou 400 metros nas áreas urbanas, esses dispositivos permitem identificar a presença do mosquito, mapear locais considerados críticos e antecipar o risco de infestação antes do crescimento do número de casos.
Outros riscos com as chuvas
Os cuidados durante períodos de chuvas mais intensas não se restringem às doenças transmitidas pelo mosquito. A Secretaria de Estado da Saúde também alerta para infecções relacionadas ao contato com águas contaminadas, entre elas a leptospirose e a hepatite A.
Outro ponto de atenção é a presença de animais peçonhentos, especialmente serpentes. Em situações de alagamentos e vendavais, são ativadas estratégias específicas de socorro e contenção sanitária.
A orientação é procurar atendimento médico imediatamente diante dos primeiros sintomas de dengue ou de infecções transmitidas por águas de enchentes.
Wolbachia chega a cidades paranaenses
Outra estratégia adotada no Paraná é a introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que impede o vírus da dengue de se desenvolver no inseto. A medida é preconizada pelo Ministério da Saúde e tem como referência o projeto-piloto realizado em Niterói, no Rio de Janeiro, onde houve redução de 89% no número de casos.
A estratégia vem sendo implementada em grandes centros urbanos paranaenses, incluindo Curitiba, Londrina, Cascavel, Ponta Grossa, Maringá e Foz do Iguaçu.

















