Vivemos a era da opinião descartável. Aquela que muda conforme o vento, o grupo do WhatsApp, o influencer do dia ou o assunto que está rendendo like. Não é evolução, não é amadurecimento. É vazio mesmo.
Mudar de ideia é sinal de inteligência. De escuta. De aprendizado. Mas isso só vale quando existe uma ideia inicial. O problema é quando a pessoa nunca teve convicção nenhuma, só repete, copia, concorda e se adapta para não desagradar ninguém.
Tem gente que não pensa. Reage. Hoje é a favor, amanhã é contra, depois diz que “nunca foi bem assim”. Não porque refletiu, mas porque percebeu que o clima mudou. E convenhamos: isso não é flexibilidade, é conveniência.
Opinião exige coragem. Coragem para bancar o que pensa quando não é confortável. Coragem para discordar do grupo. Coragem para perder aplausos. Quem não tem opinião própria vive de aprovação alheia, e paga caro por isso, mesmo fingindo que não liga.
E não, não estamos falando de teimosia cega. Convicção não é rigidez. É ter base, valores, um ponto de partida. A mudança saudável nasce do confronto com ideias melhores, não do medo de ficar mal na foto.
O mais curioso é que essas pessoas sempre se dizem “mente aberta”. Aberta demais, talvez. Tão aberta que qualquer discurso entra, fica um tempo e vai embora sem deixar rastro. No fim, sobra o quê? Nada. Nenhuma identidade, nenhum posicionamento, nenhum norte.
Em tempos de barulho, ter opinião virou ato político, social e até emocional. Porque pensar dá trabalho. Sustentar o que se pensa, mais ainda. É mais fácil surfar a onda, repetir frases prontas e chamar isso de equilíbrio.
Mas não é!
O mundo não precisa de mais gente que muda de lado conforme o algoritmo. Precisa de pessoas que saibam por que pensam como pensam, e que tenham maturidade para mudar quando fizer sentido, não quando for conveniente.
Porque no fim das contas, o problema nunca foi mudar de ideia. O problema é nunca ter tido uma.

















































