Os crimes cibernéticos seguem como um desafio para as autoridades de segurança pública, especialmente quando envolvem mulheres, que muitas vezes deixam de denunciar por receio ou constrangimento.
O alerta é da Polícia Civil do Paraná, que reforça a importância da denúncia e da preservação de provas para investigação.
De acordo com o delegado José Barreto, responsável pelo Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), é fundamental que as vítimas não se sintam culpadas e reúnam o máximo de informações possíveis, como links, mensagens, perfis e registros digitais.
A orientação é confiar na capacidade técnica da polícia para identificar os autores, mesmo em ambientes virtuais.
Tipos de crimes e orientações
Entre os crimes mais comuns está o cyberstalking, caracterizado pela perseguição contínua em ambientes digitais, muitas vezes associada a ameaças, constrangimentos e difamação. Nesses casos, a recomendação é não interagir com o agressor, reunir provas, bloquear o contato e procurar uma delegacia.
Outro crime recorrente é a sextorsão, que envolve ameaças de divulgação de conteúdo íntimo em troca de dinheiro ou vantagens.
A orientação é não realizar pagamentos, manter a calma, preservar evidências e buscar apoio policial. Dependendo da situação, o caso pode ser enquadrado como ameaça, extorsão ou perseguição.
Também são frequentes os casos de invasão de contas, geralmente com o objetivo de aplicar golpes ou obter dados pessoais. As medidas variam conforme o tipo de conta invadida, sendo importante seguir orientações específicas para cada situação.
Perfis falsos e uso de imagens
A criação de perfis falsos é outra prática comum. Em alguns casos, criminosos utilizam imagens de terceiros para enganar vítimas ou se passar por outra pessoa. Indícios como contas recentes, baixa interação e inconsistências nas imagens podem ajudar na identificação de fraudes.
Quando há uso indevido de dados pessoais, a situação pode configurar crime de falsa identidade.
A recomendação é denunciar o perfil na própria plataforma, registrar provas e buscar atendimento policial, especialmente se houver tentativa de obter dinheiro de terceiros.
Queda nos registros e prevenção
Dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística indicam redução nos registros de crimes virtuais contra mulheres. Em janeiro de 2024 foram contabilizados 1.755 casos, enquanto no mesmo período de 2026 foram 1.530 ocorrências, uma diminuição de quase 6%.
Apesar da redução, a adoção de medidas preventivas continua sendo essencial, como manter sistemas atualizados, utilizar senhas fortes e evitar o compartilhamento de informações pessoais em ambientes digitais.
Canais de atendimento e denúncia
As vítimas podem procurar o Núcleo de Combate aos Cibercrimes, em Curitiba, ou qualquer delegacia mais próxima.
Também é possível registrar boletim de ocorrência pela internet em casos de ameaça, injúria, calúnia e difamação.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, e a Polícia Civil disponibiliza orientações específicas para diferentes situações em seus canais oficiais, além de atendimento telefônico para suporte às vítimas.















