O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas – Dr. Douglas Bittencourt (CAPS AD III), em Foz do Iguaçu, registrou 15.005 procedimentos entre janeiro e abril deste ano. No mesmo período de 2025, foram 6.798, um crescimento de 120,7%.
O aumento ocorre após a transformação da unidade em CAPS AD III e a ampliação do funcionamento para 24 horas, iniciada em dezembro de 2025.
Os números constam no sistema RP Saúde e foram apresentados no Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA). Os dados do segundo quadrimestre, referente aos meses de maio a agosto, ainda estão em consolidação e serão divulgados posteriormente.
O CAPS AD III integra a Rede de Atenção Psicossocial e oferece atendimento especializado às pessoas com necessidades relacionadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas.
Entre os serviços estão acolhimento, acompanhamento multiprofissional, atividades terapêuticas, administração de medicamentos, buscas ativas, visitas domiciliares e atendimento às famílias.
Atendimento foi ampliado
De acordo com a coordenação, o crescimento no número de procedimentos está relacionado principalmente à transformação da unidade em CAPS AD III e à consequente ampliação da cobertura assistencial.
Entre os recursos disponíveis está o acolhimento noturno, que oferece oito vagas e possibilita a permanência do paciente por até 14 dias, conforme avaliação e indicação da equipe.
A mudança também ampliou a articulação com outros serviços e instituições. O acompanhamento dos usuários é realizado por uma equipe multiprofissional e definido individualmente por meio do Projeto Terapêutico Singular (PTS), considerando as necessidades de cada pessoa.
Além dos atendimentos individuais e em grupo, são desenvolvidas atividades terapêuticas, artísticas e culturais, assim como ações destinadas ao fortalecimento de vínculos, redução de danos, autonomia e construção de novos projetos de vida.
Naltrexona passa a integrar tratamento
Desde março deste ano, a farmácia do CAPS AD III disponibiliza a naltrexona como uma das estratégias terapêuticas para pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool.
Nos primeiros cinco meses de oferta, foram atendidas 165 receitas do medicamento. O número passou de 13 prescrições em março para 26 em abril, 31 em maio, 44 em junho e 51 em julho.
Entre março e julho, o crescimento na quantidade de receitas atendidas foi de 292,3%. Os números se referem às prescrições dispensadas e não necessariamente à quantidade de pacientes beneficiados, já que uma mesma pessoa pode receber mais de uma receita durante o acompanhamento.
A naltrexona é prescrita após avaliação médica individualizada, considerando as condições clínicas, necessidades e objetivos terapêuticos de cada paciente.
O medicamento pode auxiliar na redução da fissura e do consumo de álcool e na prevenção de recaídas, mas não substitui as demais estratégias de cuidado.
A utilização requer prescrição e monitoramento profissional e deve estar associada ao acompanhamento multiprofissional e às ações estabelecidas no Projeto Terapêutico Singular.
Participação dos usuários
Outra iniciativa realizada pela unidade é a Assembleia Geral dos Usuários, destinada à escuta, ao diálogo e à participação das pessoas atendidas. A edição mais recente ocorreu em 4 de setembro, no próprio CAPS AD III.
Durante os encontros, os usuários podem relatar experiências, avaliar os serviços oferecidos, apresentar propostas e sugestões e apontar aspectos que podem ser aprimorados.
As contribuições são utilizadas pela equipe para identificar demandas, avaliar atividades e planejar novas estratégias de atendimento.
A iniciativa integra as ações de participação social no serviço de saúde mental e busca fortalecer a autonomia e a participação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na construção do próprio cuidado.
O CAPS AD III funciona no modelo de porta aberta, sem necessidade de encaminhamento prévio. A própria pessoa ou seus familiares podem procurar diretamente a unidade.
Apesar do funcionamento durante 24 horas, o acolhimento inicial de novos pacientes é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.
Durante a noite e nos finais de semana, o atendimento é direcionado aos pacientes que permanecem em acolhimento na unidade e àqueles que necessitam de medicação assistida.

















