O Mural das Cataratas, painel artístico localizado no prédio da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, começou a passar pela etapa prática de restauração. Com previsão de seis meses de duração, o trabalho busca recuperar as características originais da pintura e preservar a obra.
A restauradora de bens artísticos Eva Zaldivar, que atua em Ouro Preto (MG), foi contratada pela Fundação Cultural para conduzir o processo. Após o levantamento de documentos, pesquisas e licenças, a primeira intervenção física utiliza microscópio para identificar a quantidade de camadas de repintura e outras características do mural.
Segundo Eva, a obra não apresenta problemas estruturais, como umidade ou trincas. A intervenção será concentrada nas camadas de tinta aplicadas sobre a pintura original.
Na próxima etapa, uma análise definirá qual camada deverá ser preservada. As demais serão retiradas gradualmente, com bisturi e solvente. A restauradora explicou que o prazo pode variar conforme o andamento do procedimento, já que a remoção será feita camada por camada.
Preservação do patrimônio
O diretor de Cultura da Fundação Cultural, Sérgio Teixeira, afirmou que a aproximação entre Foz do Iguaçu e Ouro Preto amplia o intercâmbio de conhecimentos e práticas relacionadas à conservação do patrimônio cultural.
De acordo com o presidente do CEPAC, Alexandre Baltazar, a restauração utiliza a técnica de estratigrafia para recompor a pintura original e é a primeira realizada em uma edificação pública da cidade. Ele destacou que outros imóveis tombados ou em processo de tombamento também possuem pinturas que precisam ser restauradas.
Baltazar avalia que o trabalho representa um avanço na preservação do patrimônio histórico de Foz do Iguaçu. As primeiras leis municipais voltadas à preservação são da década de 1990.
O prédio da Fundação Cultural foi inaugurado em 1952 e inicialmente abrigou o primeiro Fórum da Comarca, responsável pelo atendimento de toda a região.
Etapas da restauração
O cronograma inclui diagnóstico conclusivo, mapeamento de danos, documentação estratigráfica, definição da técnica e da metodologia de remoção, descrição dos testes e apresentação dos resultados.
Também estão previstos, quando necessários, a consolidação do suporte, o tratamento de fissuras e lacunas, a estabilização das camadas pictóricas, a reintegração cromática e o acabamento final. O processo ainda contempla a especificação de materiais, a documentação fotográfica antes, durante e depois da intervenção e a elaboração de um plano de manutenção e conservação preventiva.

















