O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) orienta os tutores sobre os cuidados necessários para prevenir casos de esporotricose. A doença é uma zoonose, ou seja, é comum em gatos e também pode afetar as pessoas. A principal recomendação é evitar que os animais tenham acesso às ruas, onde podem entrar em contato com gatos infectados.
A esporotricose é uma infecção causada por fungo que pode provocar lesões na pele dos animais. Entre os sinais estão feridas que não cicatrizam, lesões pelo corpo, ruídos respiratórios, espirros e deformidades na região do nariz.
O médico-veterinário do CCZ, Carlos Santi, explica que o tutor deve procurar atendimento veterinário assim que identificar os sintomas. “O morador deve entrar em contato com o CCZ. Nós vamos agendar uma data para atender o animal, seja em domicílio ou no CCZ, sempre mediante prévio agendamento”.
O primeiro caso de esporotricose diagnosticado em Foz do Iguaçu ocorreu em 2019. Desde então, o número de registros aumentou de forma significativa. Neste ano, até o final do mês de agosto foram notificados 461 casos em animais e 111 em humanos.
A principal forma de transmissão da doença entre os gatos ocorre pelo contato com animais infectados, principalmente durante brigas, quando arranhões e mordidas podem provocar a entrada do fungo no organismo. Por isso, é fundamental evitar que os gatos tenham acesso às ruas, quintais, telhados e outros imóveis. “O gato infectado pode transmitir a doença para outros gatos da casa e também para as pessoas com as quais convive. Além das brigas, a transmissão pode ocorrer também por meio do compartilhamento de utensílios, como deitar na mesma caminha ou comer no mesmo pote de comida”, comenta Santi.
O contato com secreções do animal e superfícies contaminadas também pode representar risco, principalmente quando a pessoa possui pequenos ferimentos na pele. “A principal forma de transmissão para os humanos é por meio de arranhaduras e mordeduras, às vezes até nas interações e brincadeiras, mas existe também a possibilidade de contaminação quando a pessoa apresenta previamente um machucado na mão, um corte, uma picada de inseto ou mesmo uma cutícula que tirou, pois essas são portas de entrada para o fungo. Ou se a pessoa tem contato com o animal ou com seus utensílios, sem proteção (luvas), e coloca a mão no olho ou na boca, por exemplo, acaba tendo o risco de se infectar”, explica o médico-veterinário.
O médico-veterinário conta que existem medicamentos capazes de tratar a esporotricose, mas reforça que a prevenção é simples: evitar o acesso dos animais à rua. “É preciso que sejam feitas adequações físicas nos imóveis para que os gatos não saiam. O gato deve ficar em uma parte do imóvel onde ele não tenha acesso à rua e outros animais não adentrem. À noite, se a pessoa não quer deixar o animal dentro de casa, pode mantê-lo em um gatil ou nesse espaço que tenha em casa onde ele possa ficar isolado. O importante é que o animal não saia para a rua, não fique solto no quintal desassistido ou suba no telhado, porque é dessa forma que ele vai encontrar outros animais doentes e vai acabar pegando a doença”, afirma.
A corretora de imóveis Ariana Guerin conhece de perto os riscos da doença. Ela resgatou um gato com uma lesão na região do olho e levou o animal ao veterinário. O diagnóstico apontou esporotricose. Ariana iniciou o tratamento do animal e, durante os cuidados, também contraiu a doença. Ela precisou realizar tratamento durante seis meses pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Depois de um tempo sem obter resultado com o tratamento do animal, Ariana procurou ajuda do CCZ. “Eles vieram aqui em casa e a gente começou a fazer o tratamento com o Adelino. Estou bem feliz com o atendimento deles, com a prontidão, com a rapidez que eles vieram aqui”, afirma.
O CCZ alerta que quanto mais cedo o animal for diagnosticado, menor os riscos de transmissão a outros gatos e às pessoas. E que o tratamento somente deve ser iniciado após consulta com médico veterinário, particular ou do CCZ, pois a falta de acompanhamento especializado e o uso indiscriminado de medicamentos pode gerar resistência e não promover o efeito esperado no tratamento.
O CCZ oferece atendimento, diagnóstico e orienta sobre os cuidados necessários com os animais infectados. O contato é pelos números (45) 2105-8730 e (45) 9 9997-4448 (WhatsApp).















