O ano eleitoral de 2026 começa como terminou o ciclo anterior: sob o signo da divisão. A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês de janeiro, traz um retrato fiel de um país cindido ao meio, onde a fidelidade política colide frontalmente com a realidade do bolso do eleitor.
Os números revelam que o atual governo enfrenta um paradoxo. Se por um lado o presidente Lula (PT) mantém uma base eleitoral sólida, liderando todos os cenários de primeiro turno (oscilando entre 35% e 40% das intenções de voto), por outro, sua gestão enfrenta uma desaprovação técnica que acende o sinal de alerta no Palácio do Planalto.
O fator econômico: o “Calcanhar de Aquiles”
O dado mais preocupante para a situação não está na política, mas na gôndola do supermercado. Segundo o levantamento, 58% dos brasileiros afirmam que o preço dos alimentos subiu no último mês.
Essa percepção inflacionária contamina a avaliação geral: 43% da população considera que a economia piorou nos últimos 12 meses, contra apenas 24% que viram melhora.
Historicamente, eleições no Brasil são decididas pelo humor econômico.
A pesquisa mostra que a aprovação do trabalho de Lula está tecnicamente empatada com a desaprovação (47% aprovam e 49% desaprovam, dentro da margem de erro), um reflexo direto dessa insatisfação com o custo de vida.
A disputa no retrovisor
No campo da oposição, a pesquisa aponta um dilema estratégico para a direita. Embora Flávio Bolsonaro (PL) apareça como o herdeiro natural do espólio político do pai consolidando entre 23% e 26% das intenções no primeiro turno , ele não é o nome mais competitivo em um eventual segundo turno.
Os dados mostram que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), oferece maior risco à reeleição de Lula.
Num cenário de confronto direto (2º turno), a distância entre Lula (44%) e Tarcísio (39%) é de apenas 5 pontos percentuais, configurando uma disputa acirrada. Já contra Flávio Bolsonaro, a vantagem do petista amplia-se para 7 pontos.
Isso sugere que, embora o “bolsonarismo raiz” garanta um piso de votos, ele também carrega um teto de rejeição.
A pesquisa indica que 49% dos eleitores não votariam em um candidato indicado por Jair Bolsonaro, e 44% consideram que o ex-presidente errou ao indicar o filho Flávio como sucessor.
O medo como cabo eleitoral
Talvez o dado mais simbólico da pesquisa seja o sentimento que move o eleitor. Quando perguntados sobre o que dá mais medo, o país se divide novamente: 46% temem a volta da família Bolsonaro, enquanto 40% temem a continuidade de Lula.
O Diário das Águas avalia que 2026 será uma eleição de rejeições. Vencerá quem conseguir convencer o eleitor de centro, aquele que hoje diz que a economia piorou, mas que ainda teme o radicalismo político de que é a opção “menos arriscada”.
Para o governo, a lição de janeiro é clara: sem controlar a inflação dos alimentos, a liderança nas pesquisas pode ser volátil. Para a oposição, o desafio é matemático: encontrar um nome que herde os votos da direita sem herdar integralmente a rejeição do ex-presidente.
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Ficha Técnica da Pesquisa
Em cumprimento à legislação eleitoral, informamos os dados técnicos do levantamento citado:
Instituto: Genial/Quaest Consultoria e Pesquisa.
Período de coleta: 08 a 11 de janeiro de 2026.
Amostra: 2.004 entrevistas presenciais domiciliares em 120 municípios.
Público: Brasileiros com 16 anos ou mais.
Margem de erro: 2,0 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nível de confiança: 95%.

















