A ampla maioria dos brasileiros é completamente indiferente às questões político-ideológicas. Não posso afirmar com precisão em que momento exatamente o brasileiro deixou de se importar com questões mais abstratas, subjetivas, e passou a ser movido quase que exclusivamente por questões estritamente materiais.
Em um dia, o brasileiro deixava de estacionar na vaga de idoso por consciência, por uma questão moral; no dia seguinte, passou a ignorar a necessidade do idoso ou da pessoa com deficiência e, então, passou a ocupar essas vagas reservadas. Ato contínuo, deixou de estacionar ali simplesmente porque um fiscal passou a aplicar-lhe multas altas, reter o veículo, cassar documentos, entre outros.
A punição foi a materialidade que precisava para ocupar a vaga dos valores subjetivos que foram perdidos. Faço essa análise e traço um paralelo com a realidade de que a hipocrisia e o mau-caratismo são traços muito bem delineados no populismo lulo-petista. Fique tranquilo: parece não haver vínculo entre “a” e “b”, mas eu explico.
Uma densa massa desinformada de homens comuns já não possui condições de distinguir o certo do errado, o moral do imoral, o ético do antiético, o belo do feio. Eles sabem o que multa, o que “dá cadeia”, o que dá prejuízo, e isso costuma balizar suas ações e decisões; ou seja, se eu vejo o problema, ele existe, e, se não vejo, é conspiração. Pode me dizer quem sabe disso além de mim (este homem comum de uma massa não tão desinformada)?
O governo hipócrita e mentiroso lulo-petista. Antecipo-me: um governo demagógico apresenta uma solução e esconde as consequências das suas soluções populistas; afinal, todos sabemos que alguns consideram o que vê e ignoram o que não conhecem.
O governo petista de Lula da Silva sabe bem que, para desestabilizar um governo de oposição, basta colocá-lo como inimigo do povo brasileiro. Como assim? Jogar o povo contra o governo e vice-versa é o suficiente. Basta dizer que a cesta básica está cara, que a carne está um absurdo e ninguém está podendo comer um churrasquinho, que ninguém consegue pagar a conta de água, que o governo não abaixa a tarifa da conta de luz e que ninguém aguenta trabalhar para pagar caro no gás de cozinha, que a oposição, a imprensa e, consequentemente, o povo passam a sofrer com fortes cóleras contra “este presidente mercenário, golpista etc.”.
Não falo isso sem prova. Veja a fala do próprio Lula em 2022, durante o governo do presidente Bolsonaro: “Quem não pode mais cozinhar por causa do preço do gás, quem não pode sair de carro pelo preço da gasolina ou o caminhoneiro que sofre com o preço do diesel precisa entender que a responsabilidade é do presidente”. Seria cômico se não fosse.
No dia dessa fala, o preço da gasolina estava, em média, R$ 7,50, atingindo máximas de R$ 8,99 no Brasil, no auge da pandemia da COVID-19. Mas estamos em março de 2026: passaram-se exatos quatro anos, o presidente não é mais Jair Bolsonaro e o ministro da Economia não é mais Paulo Guedes. Preside o Brasil, em 2026, Lula da Silva e seu ministro da Fazenda é Fernando Haddad.
A gasolina atingiu máximas de R$ 9,29, mas vamos ver o que Lula de 2026 diz agora. Será que a culpa continua sendo do presidente da República ou, na vez dele, a culpa muda? Ele disse recentemente que: “Os tiros que o Trump deu no Irã estão fazendo aumentar no mundo inteiro. Um barril de petróleo saiu de US$ 65 para US$ 120. Aqui tomamos a decisão para não deixar o preço chegar, mas, quando as pessoas não prestam, não tem jeito. Por que o álcool aumentou? Por que a gasolina aumentou, se somos autossuficientes? Porque está cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça. Isso tudo por causa da guerra”. O que presenciamos em ambas as falas tem nome e sobrenome: revolta seletiva. Antes era culpa do presidente; agora é culpa de fatores internacionais.
Uma coisa é inegável: populismo tem preço, e uma hora esse preço bate à porta. Não quero dizer com isso que subsídios são ferramentas exclusivamente populistas ou que são totalmente nocivos ou prejudiciais, mas quero, sim, afirmar que a maneira com que o governo Lula lida com subsídios é extremamente populista e maldosa, o que é pior ainda.
Em nome de uma popularidade fantasiosa, construída por marqueteiros milionários, o governo Lula apresentava propostas demagógicas e populistas desde sua campanha eleitoral — e só não viu quem não quis ou quem é ignorante o suficiente para não entender.
Seu pacote populista passava por “colocar o pobre no orçamento”, recuperar o poder de compra, fortalecer os instrumentos de combate à corrupção, respeitando o devido processo legal — essa é a parte mais descarada deste mentiroso compulsivo —, ampliação do Bolsa Família e reforma tributária com redução de impostos.
O que vimos foi um governo irresponsável que, apenas em 2025, gastou R$ 61 bilhões a mais do que arrecadou. Essa dívida, somada à dívida dos dois anos anteriores, já superou R$ 1 trilhão, e, então, contrariando a promessa de “reduzir impostos”, para cobrir esse rombo, 24 novos impostos foram criados no Brasil pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Isso significa um imposto novo a cada 37 dias, em média.
Agora, pense comigo: se quem paga imposto é o cidadão brasileiro e a maior parte dos brasileiros é pobre, adivinhe quem mais pagou esse imposto no governo Lula. Exatamente os pobres. Isso é colocar os pobres no orçamento ou na mira? É com essa mentira que o governo gastador buscou recuperar o poder de compra? Não me parece.
Exclusivamente na questão do aumento dos combustíveis, precisamos desmascarar a narrativa medíocre do governo Lula, pois a verdade é que decisões para conter o aumento do preço poderiam ter sido tomadas; entretanto, subsídios em excesso são como remédio em excesso e sutilmente, tornam-se veneno.
Vamos brincar de imaginação. Pense que você tem dois cofrinhos: em um, você tem uma poupança de R$ 1.000,00 para uma viagem; em outro, você tem R$ 2.000,00 reservados para emergência. Todo mês, você pega parte do salário dos seus familiares para os cofrinhos. Em dado momento, um imprevisto acontece no montante de R$ 4.000,00.
Então, você precisa usar a reserva de emergência, sacrificar a poupança da viagem e ainda lhe faltam mil reais. Correto? Para não frustrar a família, já que a viagem foi prometida, você recorre a um agiota, empresta os R$ 1.000,00 que faltavam, tendo que devolver com juros. Resolve o imprevisto, viaja e pronto. Você acaba de receber o título de “a alma mais honesta da sua família”, recebe elogios e afagos.
Resumida e simbolicamente, foi isso que o governo fez, porém de uma maneira infinitamente mais perversa e agravada por um detalhe: ele não nos contou a respeito da dívida com o “agiota” e continua posando de “bom moço”, preocupado com as mazelas dos mais desfavorecidos e cumprindo rigorosamente cada requisito que todo cínico, populista e demagogo cumpriria.
O preço da gasolina certamente sofreu influência de fatores internacionais sobre o preço do barril do petróleo (quem mentiu foi o Lula de 2022), mas esse aumento tem um teto. Todo o bando lulo-petista, propositalmente, segura as consequências do excesso de subsídios e dos gastos exorbitantes para explodirem ao final do mandato ou, preferencialmente, na gestão futura; assim, podem tranquilamente culpabilizar o governo oponente pelas decisões devassas tomadas no seu próprio governo.
Desta vez, sem rodeios: o preço do populismo petista está batendo à porta e cobrando, através da gasolina, cada centavo que nós, cidadãos, devemos pagar.
Se alguém ainda não conseguia enxergar essa promiscuidade petista e considerava mera conspiração, por favor, trate de ver, na placa do posto de gasolina da esquina da sua casa, quanto está custando ter acreditado nas mentiras do petismo nas últimas eleições.
Nesta história toda, temos uma margem de aumento proveniente de fatores externos, sim. O restante é o preço da ingerência petista somada a irresponsabilidade e milhões de eleitores que votam com o intestino e não com o cérebro. Enfim, existe a história do preço da gasolina e o preço da “Gasolula”.































