A Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolve um método que combina bactérias e substâncias produzidas por elas para combater pragas e doenças nas lavouras. Coordenada pelo professor Admilton Gonçalves de Oliveira Junior, a proposta busca ajustar a proteção ao estágio de desenvolvimento das plantas e ampliar o retorno financeiro ao produtor com menor impacto ambiental.
Denominado Alfa e Ômega, o sistema organiza o manejo em duas etapas:
- Fase Alfa: durante o crescimento inicial, bactérias da espécie Bacillus velezensis colonizam a planta e liberam substâncias naturais, chamadas metabólitos, que auxiliam na proteção contra organismos causadores de doenças.
- Fase Ômega: no período reprodutivo, são aplicadas formulações concentradas desses metabólitos, sem bactérias vivas, para obter uma resposta mais rápida aos agentes que ameaçam a lavoura.
A estratégia procura superar limitações dos produtos biológicos, como o tempo necessário para a colonização das plantas, dificuldades de transporte e armazenamento e perda de eficiência diante de variações climáticas.
A atuação prevista é dupla: combater diretamente fungos e bactérias prejudiciais e estimular as defesas naturais do vegetal. Segundo o coordenador, a composição selecionada ainda não está registrada em produtos comerciais.
Apoio à agricultura familiar
O projeto prevê que parte dos royalties, pagamentos pelo licenciamento da tecnologia, seja convertida em produtos para agricultores familiares que fornecem alimentos orgânicos à merenda escolar. A distribuição deverá envolver prefeituras e cooperativas.
A iniciativa está ligada à meta de levar alimentação orgânica a todas as escolas estaduais do Paraná até 2030. Empresas privadas já manifestaram interesse em participar.
A proposta prioriza o retorno sobre o investimento. Mesmo com um custo inicial eventualmente maior, a intenção é compensar esse valor com a eficiência na proteção e os resultados da colheita.

















