Há um cansaço que não aparece nas fotos de fim de ano.
Ele mora nas vozes que falham antes da última apresentação.
Nas costas que doem antes do último conselho.
Nos olhos que insistem em funcionar mesmo quando a mente pede pausa.
Cada vez mais professores se afastam.
Não por falta de compromisso.
Mas porque o corpo não sustenta sozinho o peso de um sistema inteiro.
Depressão, ansiedade, burnout.
Nomes que tentam explicar o que, na prática, é excesso contínuo.
Uma rotina que exige presença total, mesmo quando as condições são mínimas.
A escola pede muito.
Pede preparo emocional, físico, pedagógico.
Pede disponibilidade além do horário.
Pede respostas rápidas para problemas complexos.
E, quase sempre, oferece pouco retorno.
Há quem adoeça pela pressão constante.
Há quem perca a voz de tanto explicar.
Há quem carregue dores no corpo como extensão da sala de aula.
Há quem siga trabalhando até o limite, porque parar parece culpa.
Os números crescem, mas o silêncio também.
Afastamentos se acumulam.
Licenças se repetem.
E o impacto chega à sala de aula, ao estudante, à aprendizagem.
Não se trata de fragilidade individual.
Trata-se de um modelo que naturalizou a sobrecarga.
Que confundiu vocação com resistência infinita.
Que transformou o cuidado em esforço solitário.
O aumento dos afastamentos por adoecimento docente em todo o país confirma o que o cotidiano escolar já vem denunciando em silêncio.
Quando um professor adoece, a escola inteira sente.
Quando muitos adoecem, é o sistema que precisa ser revisto.
Prevenir não é luxo.
Valorizar não é favor.
Cuidar de quem educa é condição básica para qualquer projeto de qualidade.
Talvez seja hora de escutar o corpo da escola.
Ele vem avisando há tempo.































