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Home Opinião - Filipe Peixoto

A entrevista que aprofunda a crise de confiança na Educação

O retrato de uma gestão que pede confiança, mas entrega insegurança.

Filipe Peixotopor Filipe Peixoto
17 de janeiro de 2026
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Foto: Reprodução/Rádio Cultura Foz.

Foto: Reprodução/Rádio Cultura Foz.

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Na última sexta-feira, 09 de janeiro, acompanhei a entrevista concedida pela secretária municipal de Educação à Rádio Cultura Foz, no programa Contraponto.

Em tese, aquele era o espaço ideal para pacificar tensões, esclarecer dúvidas técnicas e reconstruir pontes com a comunidade escolar. O que se ouviu, porém, produziu o efeito inverso.

Diante da extensão da entrevista e da quantidade de temas abordados, optei por organizar esta análise de forma direta, para facilitar a compreensão de quem acompanha a educação municipal sem estar dentro da máquina administrativa.

O que emergiu da fala pública não foi apenas divergência de ideias, mas um conjunto de inconsistências, incoerências e contradições que ajudam a explicar por que a educação de Foz do Iguaçu hoje opera sob um ambiente de desconfiança.

Não se trata de discordar de uma nova matriz curricular, de inglês, robótica ou cultura digital. Trata-se do que a entrevista revela — de forma clara — sobre método, legalidade, transparência e respeito institucional.

Quando uma gestão pede confiança, ela precisa oferecer segurança jurídica, coerência e previsibilidade. O que se ouviu, no entanto, foi um discurso que muda de eixo conforme a conveniência: ora a lei surge como argumento inegociável para impor mudanças, ora vira “tema superado” quando passa a limitar a própria gestão.

Para quem está fora do gabinete, isso tem nome: legalidade seletiva. E legalidade seletiva é o primeiro passo para a erosão da confiança pública.

A entrevista tenta se sustentar em uma palavra que deveria ser inegociável no serviço público: legalidade. A matriz precisa mudar “para atender a legislação”. Convênios precisam ser executados porque “termo assinado precisa ser cumprido”.

Metas não podem ser revistas para evitar “regressão”. Isoladamente, o raciocínio parece sólido. O problema é que, nos pontos em que a lei deveria funcionar como freio, ela é relativizada, minimizada ou tratada como ruído administrativo.

O que está em disputa aqui não é inovação. É método.

Ninguém precisa ser contra a ampliação de oportunidades para perceber o problema central: diálogo não é presença física em escola, nem reunião protocolar. Diálogo, em gestão pública, é processo decisório transparente, com critérios claros, registro formal, previsibilidade e real possibilidade de incorporação de contribuições antes que as decisões estejam tomadas.

Quando a realidade do sistema aponta greve, assembleias e ampla mobilização, insistir que “está tudo dialogado” não transmite firmeza. Transmite defensiva. E isso só aprofunda o conflito, porque transforma um problema de governança em disputa retórica: quem discorda é rotulado como resistente.

Talvez o trecho mais revelador da entrevista seja aquele em que parte da mobilização é atribuída a “viés político” e à resistência natural a uma “gestão nova”. Esse argumento é conveniente, mas perigoso.

Ele dissolve toda crítica — inclusive as técnicas e jurídicas — em uma explicação genérica: oposição. A partir daí, qualquer questionamento vira interesse político, e qualquer alerta legal vira ruído ideológico.

Isso não pacifica. Provoca. E pior: infantiliza o debate, como se professores, conselhos e órgãos de controle não fossem capazes de discordar por razões legítimas.

Dois temas escancaram esse padrão com clareza: as nomeações de servidores em estágio probatório e atos administrativos sensíveis, como o recolhimento de material didático.

Sobre o estágio probatório, dizer que algo “é legal” não basta quando há lei apontando limites claros. Gestão pública não se sustenta em impressão técnica, mas em base normativa objetiva.

Se a legislação municipal estabelece restrições à atuação de servidores em probatório fora da função do concurso, isso não se resolve com um “assunto superado”. Resolve-se com demonstração jurídica clara, motivação formal e respeito à hierarquia das normas.

Aqui vale registrar: não é o gestor quem define o que é legal. É a lei. Quando isso é tratado como detalhe, não se transmite autoridade — transmite-se risco institucional.

No caso do recolhimento de livro didático, apurar denúncia é dever. Mas agir sem motivação legal adequada e sem devido processo é outra coisa.

O fato de o episódio ter exigido intervenção do Ministério Público e decisão judicial para correção deveria, por si só, servir de alerta: quando atos administrativos desmoronam ao primeiro controle externo, algo está errado no método.

Outro ponto que não pode ser ignorado é a defesa da implantação de políticas com formação “acontecendo ao mesmo tempo”. Na prática, isso significa colocar o sistema para funcionar e esperar que ele aprenda andando. E a pergunta que a entrevista não responde é simples: quem paga o custo da pressa?

O professor, que recebe novas atribuições e cobranças. A escola, que precisa entregar resultados em meio à transição. O aluno, que vira objeto de experimentação. E a rede, transformada em laboratório de tentativa e erro.

Quando o argumento central passa a ser o medo de perder recursos ou descumprir termos burocráticos, fica evidente que o motor da decisão não é pedagógico, mas administrativo. Isso até pode ser verdade. Mas, justamente por isso, o processo deveria ser ainda mais transparente, participativo e juridicamente blindado.

A entrevista não fracassa por defender modernização. Fracassa por revelar um padrão de gestão em que a legalidade é usada como discurso para acelerar decisões, mas não como limite real quando a lei contraria escolhas internas.

E é isso que explica a desconfiança. Não é por ser gestão nova. Não é por viés político. É porque, quando a comunidade escolar pede garantias de método, justiça e legalidade, recebe explicações que relativizam o problema e tratam o dissenso como obstáculo.

Educação pública não se constrói à base de pressa nem de imposição. Ela exige competência técnica, segurança jurídica e respeito institucional — não como discurso, mas como fundamento.

Quando esses pilares são tratados como detalhes, não há inovação que se sustente. O que se ergue não é um projeto educacional, é um castelo de areia, destinado a ruir ao primeiro choque com a realidade.

As opiniões expressas neste texto não representam, necessariamente, a posição editorial do Diário das Águas.

Fonte: Filipe Peixoto
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Filipe Peixoto

Filipe Peixoto

Pedagogo e especialista em Educação Digital, com formação voltada ao uso de tecnologias aplicadas à aprendizagem.

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