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Home Opinião - Filipe Peixoto

A falência da gestão educacional: quando a secretária vira o problema

Desrespeito às leis, falta de professores e caos administrativo sufocam a rede municipal.

Filipe Peixotopor Filipe Peixoto
20 de agosto de 2025
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Foto: Reprodução.

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A crise que hoje assola a educação pública de Foz do Iguaçu não é episódica nem circunstancial.

Trata-se de um colapso estrutural — alimentado pela conivência de uma gestão que, em vez de se pautar pela legalidade, pela transparência e pela qualidade do ensino, se dobra ao jogo rasteiro do corporativismo, do coleguismo e da política de manutenção de poder.

Enquanto isso, professores se esgotam em salas superlotadas, crianças com necessidades especiais são negligenciadas pela ausência de professores de apoio, diretores são abandonados e a comunidade escolar inteira se vê refém de uma administração que não dialoga, não planeja e, ainda mais grave, falseia a realidade em documentos oficiais.

Não é exagero: é violação concreta da lei. A Secretaria de Educação:

  • Descumpre a Lei Municipal nº 3961/2012, ao impor metas do IDEB de forma unilateral, como se fosse possível reduzir realidades distintas a um cálculo frio de planilha.
  • Ignora a Lei Ordinária nº 4.362/2015, ao deslocar professores em estágio probatório para funções diferentes daquelas para as quais prestaram concurso — prática ilegal e desrespeitosa com a carreira docente.
  • Viola princípios constitucionais e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), ao negligenciar a valorização dos profissionais, a gestão democrática e a garantia de qualidade.

Não se trata, portanto, de falhas administrativas isoladas. Estamos diante de uma gestão que governa contra a lei — e, por consequência, contra os próprios cidadãos que deveria servir.

Enquanto a Secretaria incha sua estrutura interna com cargos e agentes de apoio mal alocados, as escolas permanecem desassistidas.

Pais clamam por atendimento especializado que nunca chega; alunos autistas e com laudos são deixados sob responsabilidade de estagiários, numa afronta cruel à noção de inclusão.

Professores, sobrecarregados e mal remunerados, têm suas vozes reduzidas a silêncio em reuniões que mais parecem comunicados unilaterais do que espaços de gestão democrática.

Diretores são enganados com informações contraditórias, e projetos pedagógicos são cortados sem aviso — como se a escola fosse um laboratório de improvisos.

— Em que momento aceitar o caos se converteu em normalidade administrativa?

O quadro é perverso: a educação foi sequestrada pela política de pequeno alcance, pelo cálculo eleitoral e pelo corporativismo barato.

O gestor que deveria zelar pela qualidade do ensino prefere a lógica da sobrevivência política. O político, transformado em ídolo, não tolera críticas.

E o preço dessa idolatria é devastador: instituições enfraquecidas, confiança social corroída e uma rotina em que professores viram peças descartáveis, alunos se reduzem a estatísticas e pais são tratados como massa de manobra.

Não é irrelevante mencionar que a atual secretária, segundo comentários amplamente difundidos, não resulta de critério técnico, mas de indicação política de um deputado.

Mais um episódio em que a política suja se sobrepõe à competência, substituindo qualidade por conveniência, progresso por prestígio, e o futuro das crianças por barganha de poder.

Como se não bastasse, a prefeitura editou recentemente um código de conduta — apresentado como modernização administrativa, mas percebido por muitos como um instrumento de perseguição a servidores.

Enganam-se, porém, os que acreditam que intimidação calará aqueles que defendem a justiça. Nenhum tipo de ameaça levará ao silêncio.

Ao contrário: não se teme as consequências de lutar pelo que é certo, porque o verdadeiro perigo está em se calar diante da injustiça.

É igualmente sintomático que a grande imprensa local — que deveria amplificar os clamores da comunidade escolar — prefira o silêncio.

Seja por conveniência, seja por interesses inconfessáveis, o efeito é o mesmo: o cidadão comum consome uma narrativa higienizada, que mascara o colapso e legitima a omissão.

Enquanto páginas oficiais exibem fotografias protocolares e discursos de ocasião, a realidade amarga é escondida. Cabe à sociedade romper este cerco de silêncio e compreender que a crise da educação é, também, uma crise de democracia.

O abaixo-assinado dos professores não é um ato isolado. É a culminância de anos de insatisfação acumulada. É o grito de uma categoria que sustenta a escola com o próprio corpo, mesmo quando a gestão insiste em lhes virar as costas.

Pais, alunos, sociedade civil: o abandono da educação não é problema restrito aos muros escolares. É um dilema coletivo, que atravessa o presente e compromete o futuro de toda a cidade.

Nenhuma comunidade progride quando nega dignidade a seus professores e direitos às suas crianças.

E a pergunta que se impõe, nua e brutal, é esta: até quando aceitaremos que a educação de Foz do Iguaçu seja conduzida como feudo político — e não como direito constitucional?

__________
Nota do autor: Este artigo é uma denúncia! Não busca a neutralidade confortável das palavras mornas, mas a contundência que a realidade exige. Porque diante do colapso institucional, a omissão não é prudência — é cumplicidade.

⚠️Lembramos que os textos aqui publicados não refletem, necessariamente, a opinião do Diário das Águas.
Fonte: Filipe Peixoto
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Filipe Peixoto

Filipe Peixoto

Pedagogo e especialista em Educação Digital, com formação voltada ao uso de tecnologias aplicadas à aprendizagem.

Com a palavra, Filipe Peixoto

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