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Ao lado do “Livro Amarelo”

Como slogans políticos podem esconder projetos de poder perigosos.

Artur Jocteelpor Artur Jocteel
26 de junho de 2026
A A
Ao lado do "Livro Amarelo"

Foto: Imagem ilustrativa gerada com auxílio de IA.

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Algo gera polêmica – e muita –  na política brasileira, mas compreendo que isso pode ser um tanto quanto delicado; a possibilidade de todos votarem. Para opinar no comando de uma unidade militar, para opinar na direção de um hospital, na gerência de um hotel, de um restaurante, de uma montadora de veículos ou indústria, de uma universidade, de uma corretora ou de um banco ou qualquer outra instituição de qualquer ramo, o mínimo que se espera é conhecimento, qualificação, competência. Para operar um drone, para pilotar uma moto ou dirigir um carro, para pilotar uma moto aquática, uma lancha, um barco ou navio, um helicóptero ou um avião, quem sabe controlar uma locomotiva ou um bonde, tudo requer preparo, condições mínimas de cognição, é necessário conhecimento e competência.

Para dirigir uma família, uma associação, um clube, um grêmio, tudo precisa de preparo e competência. Quando há preparo, as ações são premeditadas, não há espaço para demagogia, não há tempo para improvisos, muito menos manipulação e leviandade. O planejamento passa a ser a “menina dos olhos” dos responsáveis e tal planejamento é fundamentado em uma palavra cara e cada vez mais rara, conhecimento. O conhecimento é algo tão libertador que certa vez um líder importante disse: “quando vocês tiverem conhecimento, vocês serão livres”. Familiar, não?

Não é segredo para ninguém que seja minimamente informado que esta ideia não surgiu com este que vos escreve. Platão em “A República” já apresentou esta ideia através de uma alegoria, a do navio, para dizer acerca disto. O que não podemos negar ou omitir são as controvérsias e as discussões que também envolvem esta premissa, entretanto gostaria de me ater neste entendimento para desenvolver o ponto de vista e talvez trazer um alerta. Honestamente espero que seja um alerta e não uma profecia.

Vários pensadores nos alertaram ao longo da história afirmando que “quem não conhece a história torna a repeti-la”. Reflita na tamanha desgraça que a falta de conhecimento nos ameaça lançar. Será que nossa história só possui momentos triunfantes de glórias, louros e de êxito? Sou capaz de dizer que as tragédias ocorridas são mais importantes que as vitórias no quesito vigilância, porém nossa geração está viciada com o trivial e simplesmente esquece do que já foi, do que era, do já aconteceu e isto é um grande risco. Não é um papo de “tiozão” que desmotiva viver a vida com adrenalina e aventura. Ao mesmo passo em que há os que desconhecem a história, há homens inteligentes e maldosos, perspicazes e perversos, sagazes e maliciosos preparados o suficiente para dar o bote em sujeitos ignorantes assim como um sapo ataca e engole com facilidade uma mosca.

Longe de mim querer tomar seu tempo de leitura para ousar dar aula de história, mas precisamos relembrar duas palavras que a história desgraçadamente nos apresentou. São elas “totalitarismo” e “autoritarismo”. Se fizermos uma rápida pesquisa podemos encontrar eventos ligados aos conceitos. São eles, o fascismo de Mussolini, na Itália, o nazismo alemão de Hitler e o stalinismo de Josef Stalin, na União Soviética (URSS). Por favor, tenha raiva de mim apenas depois de ler este trecho.

Individual e sucintamente, o fascismo deixou aproximadamente 440.000, são quatrocentos e quarenta mil mortos. Isso é mais que a população de Foz do Iguaçu inteira. O stalinismo da União Soviética matou cerca de 20.000.000 (vinte milhões) de pessoas, inclusive de fome e em campos de trabalho forçado. O nazismo alemão, o vilão odiado pelo mundo deixou, 6 milhões de judeus mortos, 17 milhões de perseguidos do regime nazista (como ciganos, pessoas deficientes, homossexuais) 30 milhões de opositores políticos e aproximadamente 85 milhões de mortes em decorrência da Segunda Guerra Mundial, totalizando cerca de 138.000.000. Ou seja, cento e trinta e oito milhões de mortos pelo nazismo. Não coloquei nesta conta as mortes do regime maoísta da China, mas caso queira pode encontrar facilmente os números.

Isto posto até aqui com o simples objetivo de apresentar para quem não conhece ou relembrar para quem possa ter esquecido estes capítulos vexatórios da nossa história, a história da humanidade, ou da desumanidade. Algo muito importante nestes dois conceitos pode ser percebido e deve ser observado com preocupação colossal, o uso da força letal de maneira indiscriminada. Isto é essencial para anunciar a tragédia.

Dialeticamente, vimos que tivemos capítulos terríveis em nossa história e que estes capítulos foram escritos por regimes totalitários e autoritários, que por sua vez, mantiveram o monopólio da violência e o uso letal da violência para fazer uma espécie de “justiçamento”. Sendo este o modus operandi destes regimes, precisamos nos atentar para propostas políticas que vêm fantasiadas de clamor popular e anseio nacional, mas que na verdade são grandes armadilhas de homens pervertidos que querem tomar o poder e assim agir como sempre desejaram.

Um passo adiante, quero destacar que todas as propostas políticas sempre são apresentadas através de “jargões”, por causa da facilidade de comunicar com as massas de maneira rápida e precisa. Ou seja, falam o que os cidadãos querem ouvir e do jeito que querem ouvir. Vejamos a seguir alguns jargões emblemáticos e enfáticos que marcam campanhas eleitorais.

Como esquecer do famoso “Meu nome é Enéas” que acompanhou o saudoso mestre em toda sua trajetória? E “O Cara” que grudou em Lula em 2009? Quem não se impressionou e acreditou nos “Cinquenta anos em Cinco” de Juscelino Kubitschek na corrida eleitoral de 1955, ou o “Varre, varre vassourinha” de Jânio Quadros, o “Caçador de Marajás” do Fernando Collor de Melo e tantos outros?

Jargão é uma espécie de dinamite da comunicação. Poderoso alcance, grande velocidade e avassalador quando atinge seu alvo. Nada, absolutamente nada, é por acaso na política e no jogo eleitoral. Mesmo um grupo de jovens, ou de adolescentes na política, não é mero acaso. Tudo é intencional. Regimes perversos se comunicaram com a população através de jargões para transmitir a mensagem: “olá, seus desejos são meus desejos”.

Há um grupo pernicioso que tem atuado há anos no cenário político nacional de maneira oportunista que nasceu através de esforços do MBL – Movimento Brasil Livre, o Partido Missão, e que tem gerado polêmicas através do dia a dia de seus caciques. Na frente das câmeras são antiaborto, pró-vida, liberais, defendem as garantias constitucionais individuais, moralidade com a coisa pública, transparência, segurança etc. Mas o que encontramos quando cavamos a areia, é o mesmo que encontro quando cavo a areia do gato que eu não tenho: fezes.

Talvez as fezes não sejam tão repugnantes quanto o que se vê de figuras de influência e poder ligadas à direção do Partido Missão. São coisas asquerosas que nos fazem questionar o limite da imoralidade e insensibilidade do ser humano. Em um caso, Arthur do Val estando na Ucrânia no início da guerra contra a Rússia, vê um grupo de mulheres refugiadas e aproveita da fragilidade das moças para flertar com elas e em seguida se gaba com os amigos dizendo que “elas são fáceis por que são pobres”. Outro influenciador do grupo conhecido como Engenheiro Léo repercutiu após sugerir o aborto como solução para a Síndrome de Down e autismo. É uma seleção genética sugerida por quem se julga superior e digno de definir quem vive e quem morre. Seria coincidência que o totalitarismo nazista propunha aperfeiçoar a raça através de uma limpeza, ou uma higiene racial? É inaceitável que alguém queira definir quem é digno de viver baseado na sua etnia ou na sua condição de saúde.

Tudo isso não passou de nuances e detalhes imperceptíveis de um grupo com DNA totalitário. Se Barroso (o covarde que fugiu do STF) tivesse dito a qualquer dirigente do partido Missão, o que falou a Gilmar Mendes: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”, caberia tão justo quanto uma luva. Mas algo tão grave quanto as evidências anteriormente apresentadas podem ser observado. Algo muito mais ameaçador e perigoso é encontrado nas propostas deste grupo. O jargão – lembra que falávamos dele? O jargão mais utilizado pelo Missão é o “Prendeu, Matou”. Qualquer resposta ou justificativa a esta ideia não passa de eufemismo e sofisma.

No Brasil que vivemos, a indignação já ultrapassou qualquer barreira. Somos e estamos indignados com tanta criminalidade. O pai de família não pode se defender, o bandido é “vítima da sociedade”, o judiciário está totalmente descredibilizado, a Constituição e um conto de fadas parecem ter o mesmo peso. Assassinatos, latrocínios costumam gerar comoção social. Nosso desejo é ver o fim disto tudo. Os moleques (não por questão de idade, mas de maturidade) do MBL/Missão viram uma oportunidade, uma onda e saíram para surfar. Operação no Rio de Janeiro que matou mais de 100 bandidos, o fenômeno Bukele, uma revolta, um anseio e clamor popular, a fórmula perfeita para o oportunista totalitário se apresentar como baluarte da segurança.

A explicação do partido para o “prendeu, matou” é que as polícias terão respaldo jurídico para fazer seu trabalho, principalmente o de abordar, revistar, dar voz de prisão e prender criminosos, mas com um ponto a mais; se o criminoso reagir, revidar ou tentar fugir, não é para tentar capturá-lo, mas sim matá-lo. Parece convincente esta proposta, e digo mais, isto talvez não esteja nada fora da realidade. Talvez não com o respaldo jurídico que nossos policiais merecem, mas está tudo muito parecido com o que é. O que assombra é algo além disto.

Este debate é tão profundo e requer um debate tão sério que não caberia talvez ocupar tanto o tempo de vocês com meus devaneios, mas como o Estado dará liberdade para o matar sem uma profunda discussão jurídica? Não estou preocupado com o bandido que pode morrer, mas os totalitarismos começam assim: encontram um ponto em comum com a população (a criminalidade), conseguem apoio do povo para regularizar a matança deliberadamente, depois mudam o alvo do uso letal da violência e direcionam para os deficientes aos quais o Engenheiro Léo se referiu, posteriormente, os alvos passam a ser os críticos das políticas de matança que questionam as práticas assassinas do Estado, enfim os opositores políticos até que seja imposto o medo e o Brasil que já não está bem das pernas deita no leito de morte e passa a respirar com ajuda dos aparelhos.

Exagero meu? Vejamos. O influenciador Nando Moura encontrou o Engenheiro Léo e passou a gravar alguns questionamentos, acusações, ou seja lá o que for. Em um dado momento o Engenheiro Léo, possuído de ira e descontrolado, desferiu um golpe no rosto do Nando Moura, demonstrando que sua capacidade de dialogar de maneira republicana é negativa e que prefere resolver com o quê? Com violência. A mesma violência que o Estado totalitário monopoliza para cometer suas atrocidades, seu justiçamento. A mesma violência que justificará o “prendeu, matou” que tanto propagam.

Após o ocorrido, o Engenheiro Léo disse em um podcast a seguinte frase: “Enquanto ainda não tiver poder, é tapa na cara; depois é ‘prendeu, matou’”. Que ameaça é esta? Que prenúncio estamos tendo? É aviso? É profecia? Temos que aceitar essa ameaça nada velada? Mesmo tentando, é sofisma sobre sofisma, é eufemismo sobre eufemismo, é malabarismo e ginástica mental para tentar enganar quem não se engana.

Nando Moura sequer cometeu crime. Perguntou, questionou, pressionou. Isto o torna criminoso? Isto faz Moura merecedor de morte? Que crime hediondo é este que Moura cometeu? Estamos pontuando apenas um dos absurdos propagados por este grupo. Poderíamos abordar a pressão do Guto Zacarias sobre sua ex-companheira para abortar o bebê que estava em seu ventre. Poderíamos falar do escárnio do Arthur do Val com as mulheres vulneráveis da Ucrânia, coisa de abusador, pois são abusadores que preferem vítimas vulneráveis. E se fôssemos falar de Renan Santos, o presidenciável? Será que nas páginas do livro amarelo vai constar o plano do Tour the Blonde, a estratégia de “pegar” meninas loiras em cidades do interior? Parece que a justificativa dele é que as loiras do interior são pobres e não são metidas iguais as loiras das metrópoles. Tem episódio envolvendo do Arthur; ele é contra a liberdade de expressão, tanto que falou ao vivo no podcast com o Monark que era a favor do bloqueio que o canal sofreu devido a opiniões publicadas.

Este é o grupo protótipo de nazismos com stalinismo e fascismo. A incubadora de totalitarismo. Sou entusiasta da atuação jovem na política brasileira, mas não posso apoiar nem as ideias abstratas do PT Jovem, nem os planos abjetos do MBL. Como sou bem patriota, poderia até escrever o “Livro Verde” contendo a verdade sobre este grupo perigoso e ladeá-lo na estante do meu escritório ao lado do “Livro Amarelo”.

Fonte: Artur Jocteel
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Artur Jocteel

Artur Jocteel

Servidor da Segurança Pública, ativista político e líder de movimentos sociais. Atua à frente de iniciativas como a Marcha da Família Cristã pela Liberdade e o Movimento Conservador Estudantil.

Com a palavra, Artur Jocteel

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