Estudantes do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio da rede estadual do Paraná passaram a receber aulas de recomposição da aprendizagem em matemática e língua portuguesa no contraturno escolar.
A estratégia, direcionada às etapas avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), é apontada pelo secretário estadual de Educação, Roni Miranda, como um dos fatores relacionados ao desempenho que colocou o Paraná na liderança nacional do indicador.
Os resultados divulgados pelo Ministério da Educação no último dia 5 mostram que o Paraná liderou o ranking do Ideb em todas as etapas avaliadas. O estado alcançou nota 7,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio.
Apesar da liderança nacional, o desempenho do ensino médio ficou abaixo da meta de 5,2 prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
Reforço concentrado nas etapas avaliadas
As ações de recomposição foram direcionadas a todos os estudantes do 9º ano e da 3ª série do ensino médio, etapas avaliadas pelo Ideb e que estão sob responsabilidade da rede estadual. Não há previsão de expansão da iniciativa para outras séries.
Matemática e língua portuguesa ficaram no centro da estratégia. No ensino médio, o Paraná esteve entre os estados que mais avançaram nas duas disciplinas, atrás apenas do Piauí em crescimento das notas.
A proposta adotada pela rede estadual não se limita a aulas adicionais. O currículo foi elaborado para trabalhar habilidades essenciais nas quais os estudantes apresentavam dificuldades recorrentes nas avaliações. Os docentes recebem materiais estruturados e planos de aula preparados para cada encontro.
“Não foi apenas criar uma disciplina. Nós criamos um currículo, material para os estudantes, plano de aula para os professores e uma formação continuada focada na recomposição da aprendizagem”, afirma Roni Miranda.
Formação e seleção de professores
A Secretaria de Educação também estruturou uma rede de formação continuada. Professores com destaque em matemática e língua portuguesa foram selecionados para capacitar outros docentes da rede estadual em encontros semanais voltados às metodologias de recomposição da aprendizagem.
A seleção dos profissionais responsáveis pelas aulas também adotou critérios específicos. Em vez de considerar somente aspectos como a antiguidade na rede, as equipes gestoras das escolas escolheram os docentes a partir de competências definidas previamente pela Secretaria de Educação.
“Depois de darmos uma formação para esses gestores, nós explicamos e construímos uma rubrica de características e competências que esse professor precisava ter para fazer esse trabalho de recomposição”, diz Miranda.
Ensino médio permanece abaixo da meta
Mesmo com a maior nota do país, o ensino médio paranaense registrou 5,1 no Ideb e não atingiu a meta de 5,2 estabelecida pelo Plano Nacional de Educação.
A etapa reúne desafios como abandono escolar e perda de interesse dos estudantes. Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que o 1º ano do ensino médio permanece como a série com maior concentração de abandono escolar no país.
Na avaliação de Miranda, parte das dificuldades está relacionada às mudanças realizadas no modelo do ensino médio. A reforma aprovada em 2017, durante o governo Michel Temer, reduziu a parcela obrigatória do currículo e ampliou a possibilidade de escolha de itinerários formativos.
Posteriormente, o modelo foi revisado, com aumento da carga de disciplinas e conteúdos comuns a todos os estudantes. Defensores da revisão sustentam que a mudança buscou corrigir problemas observados na implementação da reforma original e assegurar uma formação mais ampla.
Miranda, porém, considera que a alteração representou um retrocesso e atribui a mudança a pressões corporativas e sindicais. “O Brasil avança um pouco e depois dá um passo para frente e volta três. No discurso, colocam o estudante como centro das políticas públicas, mas, no final do dia, vemos que é o interesse corporativista que ocupa esse espaço”, critica.

















