A campanha eleitoral mal começou e já está difícil saber se estamos acompanhando uma disputa política ou uma competição de quem produz a montagem mais absurda da internet.
Basta abrir qualquer rede social para encontrar candidatos desfigurados. É um verdadeiro show de horrores digitais que, para muitos, parece criatividade. Para mim, parece justamente a falta dela.
Não me preocupo com a inteligência artificial. Eu me preocupo é com a desinteligência natural.
A tecnologia é apenas uma ferramenta. O problema é o uso que fazemos dela. O que estamos vendo não é uma revolução da comunicação política, mas uma epidemia de preguiça criativa. Em vez de produzir conteúdo com identidade, observação, humor, inteligência e autenticidade, muita gente prefere terceirizar tudo para uma máquina.
Digita algumas palavras, aperta um botão e pronto: nasce mais uma imagem exagerada, mais uma cena impossível, mais uma representação fantasiosa que pouco ou nada tem a ver com a realidade.
A política sempre teve marketing. Sempre houve fotografia produzida, slogan bem pensado e peças publicitárias cuidadosamente elaboradas. Mas existia um limite entre a promoção e a fantasia. Hoje esse limite parece ter desaparecido. A realidade está sendo substituída por versões artificiais, como se a verdade já não fosse interessante o suficiente para conquistar atenção.
O mais curioso é que, enquanto alguns passam segundos criando imagens mirabolantes para as redes sociais, os problemas reais continuam exatamente onde estavam. Talvez seja apenas o reflexo dos tempos modernos, em que a aparência vale mais do que o conteúdo e o impacto visual recebe mais atenção do que uma boa ideia.
Mas confesso sentir falta de quando a criatividade dependia mais de talento do que de comandos de texto. De quando uma fotografia precisava ser capturada e não fabricada. De quando uma mensagem precisava convencer pela força do argumento e não pelo brilho de uma imagem gerada por computador.
A inteligência artificial veio para ficar e continuará evoluindo. Isso é inevitável. O que não deveria desaparecer é a capacidade humana de criar, pensar, questionar e enxergar além dos efeitos especiais. Porque, no fim das contas, uma máquina pode gerar milhares de imagens em poucos segundos. O que ela não consegue gerar é autenticidade.
E talvez seja justamente isso que esteja faltando nesta campanha eleitoral: menos prompts, menos fantasia e mais realidade. Menos inteligência artificial tentando impressionar. E mais inteligência humana tentando convencer.















































