O Brasil foi dormir estarrecido e boquiaberto com o espetáculo trágico promovido no plenário do STF ontem.
Nem a longa noite de sono foi capaz de tranquilizar as redes. Foram cortes e mais cortes, comentários e mais comentários sobre o que se viu naquele plenário.
Vimos de tudo um pouco e, se você não viu, lamento. Não é possível condensar em uma única coluna tudo o que aconteceu.
Vimos, por exemplo, isenções verdadeiramente miraculosas.
Nunes Marques, em outras palavras, disse algo próximo de: “Vazaram mensagens do Vorcaro pagando prostituta para mim? Sim. Surgiram outras relacionadas ao meu filho? Sim. Isso me coloca sob suspeita para participar do julgamento? Não. Mas, ainda assim, não quero participar porque sou presidente do TSE.”
Nem posto de gasolina tem essa conveniência.
E digo mais: não me parece impossível que já esteja sendo construída uma espécie de saída preventiva para o caso de seu próprio nome vir a aparecer em futuras investigações, assim como no caso do Alexandre de Moraes.
Toffoli também se declarou suspeito para participar do julgamento. Segundo ele, nada teria relação com o Taiaiá, com sociedades escusas ou com seu envolvimento com Vorcaro e o Banco Master. A razão seria outra: o Ministro Dino Sauro — que de “mini” tem apenas a humildade, razão pela qual talvez fosse mais adequado chamá-lo de Enormenistro — teria sugerido seu afastamento como solução em outra votação.
Mas o que realmente me deixou estarrecido foi outra coisa.
Foi a estratégia, para mim, clara e evidente da ala lulista que defende Alexandre de Moraes dentro do STF.
Gilmar “mentes tão bem” provocou André Mendonça.
Alexandre de Moraes provocou André Mendonça.
E o Enormenistro Dino da Silva Sauro parece ter feito um esforço considerável para tirar André Mendonça do sério.
E por que isso me chamou tanto a atenção?
Porque essa estratégia é velha conhecida.
Eu a vejo desde os meus tempos de faculdade. Provoca-se o interlocutor, ataca-se sua pessoa, ofendem sua moral, questiona-se sua reputação. Trazem a religião para a discussão, atacam a família. Puxa-se sua orelha, enfia-se o dedo no olho, chuta-se o traseiro.
E então, quando o sujeito finalmente reage e pede o mínimo de respeito:
“Ah! Isso é uma desfaçatez!”
“Isso é um escândalo!”
“Isso é uma vergonha para a sociedade que assiste atônita!”
E, subitamente, o agressor passa a ocupar o lugar de ofendido. É exatamente essa inversão que identifiquei como estratégia logo no início.
Por isso disse em um Reels no Instagram — @artur.jocteel, para quem ainda não me segue — que considero esse comportamento dissimulado e cínico.
Porque desnudaram a Justiça e agora a Justiça desfila desmoralizada pelas ruas.
Mas, quando alguém aponta sua nudez e oferece um pano para que volte a cobrir as partes íntimas, o problema passa a ser o sujeito que teve a ousadia de avisar que ela estava nua. É uma inversão completa.
Uma cena específica também me chamou a atenção.
Em determinado momento, Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de estar a serviço de “um grupo que tentou dar um golpe no país”.
Enquanto isso, as imagens registraram Edson Fachin ajeitando-se na cadeira, em um movimento que pode ser interpretado como sinal de desconforto diante daquela manifestação.
Isto chama ainda mais atenção porque Fachin, cuja trajetória pública inclui sua atuação jurídica em questões relacionadas ao MST, está longe de ser identificado com a ala política que costuma fazer oposição ao campo lulista.
Chegamos a um ponto em que precisamos tomar cuidado para não naturalizar o que não deveria ser naturalizado.
Não quero embarcar em saídas apocalípticas. Não quero que o Brasil descubra, pela força, aquilo que deveria aprender pela razão.
Quero acreditar que ainda seja possível repaginar o STF, a PGR, a Polícia Federal, as Forças Armadas e tantas outras instituições que deveriam servir ao Estado — e não aos interesses circunstanciais de quem ocupa seus cargos para que não vejamos porcos dando dicas de limpeza.





































