O Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA) Helena Kolody participou da 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu – Festival Literário com destaque na programação do palco principal, neste sábado (5).
Em uma mesa de conversa sobre ensino e projetos desenvolvidos no sistema prisional, profissionais da educação apresentaram ao público um pouco do trabalho e das ações realizadas nas seis unidades prisionais de Foz do Iguaçu.
A professora de História e alfabetização de adultos no sistema prisional, Miliana Aparecida Giorgetti destaca o papel fundamental da educação dentro das unidades. Segundo ela, ainda existem pessoas privadas de liberdade que chegam sem saber ler ou escrever, o que reforça a importância da escola como espaço de transformação. “Muitas pessoas não tiveram oportunidade e acabaram encontrando no crime aquilo que deveriam ter encontrado na escola. Isso nos leva a entender que a escola é um lugar para todos, independentemente da idade ou da história de cada pessoa. Quando encontramos uma pessoa que não conhece as letras, não sabe ler, escrever ou sequer colocar o próprio nome no papel, entendemos que é nesse contexto que a educação precisa atuar. Queremos que essa pessoa volte para a comunidade melhor do que entrou no sistema”, afirma.
A leitura ocupa um lugar de destaque entre as ações desenvolvidas pelo CEEBJA Prisional Helena Kolody. Um dos principais projetos é o programa Remição pela Leitura, que permite às pessoas privadas de liberdade reduzir parte da pena a partir da leitura de obras literárias e da elaboração de resenhas.
De acordo com o diretor do CEEBJA Helena Kolody, Rafael Gusa, os participantes recebem um livro todo mês e, após a leitura, elaboram uma resenha. O estudante possui até três oportunidades para aprimorar o trabalho antes da entrega final. A conclusão da atividade pode garantir quatro dias de remição da pena, conforme as regras do programa. “Temos procurado trabalhar com nossos estudantes o projeto de vida, para que eles entendam que, em algum momento, a pena vai cessar e eles poderão colocar em prática tudo aquilo que aprenderam nesse processo de ressocialização”, explica Rafael.
Para o diretor, a leitura ultrapassa a aquisição de conhecimento e contribui para a construção de novas perspectivas. “A leitura devolve sonhos, promove criatividade e instiga o conhecimento. Ela também ajuda a construir uma perspectiva de futuro”, afirma.
Estande
Além da participação no palco principal, o CEEBJA também conta com um estande na Feira. No espaço, o público pode conhecer o trabalho desenvolvido pela instituição e contribuir com a campanha de arrecadação de livros para o programa Remição pela Leitura.
“Nós percebemos muita curiosidade por parte da sociedade iguaçuense para entender o nosso trabalho. E para nós, como participantes, é muito rico ver a produção de diversos autores. É uma alegria muito grande para nós ter essa experiência de conhecer o projeto do outro também. É muito importante”, destaca o diretor.
A participação do CEEBJA Helena Kolody mostra como a leitura contribui para a construção de novas perspectivas e a Feira Internacional do Livro tem como propósito criar esse espaço democrático de acesso à cultura, à literatura e ao conhecimento.

















