A Conferência do Clima da ONU, a tão aguardada COP30, que deveria projetar o Brasil como liderança mundial na agenda ambiental, já se tornou símbolo do nosso velho hábito nacional: transformar tudo em negócio, fraude e vexame.
Em vez de exibir compromisso com o planeta, o país escancara ao mundo sua vocação para a gambiarra, a propina e a encenação barata.
Como em todo grande evento sediado no Brasil, as obras começaram tarde, sem planejamento e já envolvidas em suspeitas de corrupção. Empreiteiras amigas do poder, contratos superfaturados, licitações nebulosas: o roteiro é o mesmo de sempre.
Se depender do cronograma oficial, veremos a inauguração de praças de cimento ainda frescas no dia da abertura da COP — isso se não ficarem só na maquete eletrônica. É a tradição nacional: a obra nunca termina, mas a propina chega em dia.
Outro escândalo é a hospedagem. Com diárias que chegaram a 3000% acima do normal, a COP30 virou um assalto institucionalizado. Hotéis e atravessadores tratam o evento como temporada de caça, com a conivência das autoridades.
A situação foi tão grotesca que a própria ONU precisou intervir, pedindo ao governo brasileiro subsídios para hospedar delegações. Entre as “soluções” cogitadas, fala-se em usar casas do Minha Casa Minha Vida e até motéis para receber diplomatas estrangeiros. É o Brasil mostrando criatividade — não para inovar, mas para explorar.
Não é exagero dizer que a COP30 já nasceu fracassada. Delegações de vários países formalizaram queixas na ONU contra a organização brasileira. Houve até pedido para adiar ou mudar a cidade-sede, diante da incapacidade de infraestrutura.
O resultado? Menos de um terço dos países confirmou presença até agora, sinalizando que o evento que deveria ser um marco pode acabar esvaziado. O que deveria ser vitrine virou motivo de chacota.
Como se não bastasse, o governo decidiu dar um espetáculo de hipocrisia: instalar “árvores artificiais” em plena conferência climática. A cena é tão absurda que dispensa ironia. É o retrato fiel do país: trocar ação real por cenografia, fingir sustentabilidade enquanto a cidade-sede enfrenta esgoto a céu aberto, falta de saneamento e carências básicas. Não é preocupação com o planeta, é marketing para turista.
No centro desse caos está Lula, incapaz de liderar sequer a organização de um evento que deveria ser estratégico para sua imagem internacional. Refém da velha máquina de corrupção, o presidente assiste passivamente enquanto a COP30 desmorona diante de seus olhos.
Em vez de se impor como estadista, Lula se apequena, permitindo que o Brasil seja visto não como potência ambiental, mas como palco de fraudes e improvisos.
A verdade é dura: a COP30 não é exceção. É a regra. O Brasil não é traído pela corrupção — o Brasil se reconhece nela. Por aqui, até o discurso climático virou mercadoria, vendida ao preço de propina e hospedagem superfaturada.
Ao final, a COP30 não mostrará ao mundo como salvar o planeta. Vai mostrar como um país inteiro pode destruir sua própria credibilidade com a mesma facilidade com que destrói suas florestas.