Por um placar elástico, com oito votos de diferença, o “Bessias” foi rejeitado no plenário do Senado Federal. Mas sejamos francos: não foi apenas o nome de Jorge Messias que foi rechaçado — aliás, nem foi o pior nome já indicado por Lula, diga-se de passagem. O que se rejeitou ali foi o próprio Lula da Silva.
Lula, que já não tem apoio popular consistente, agora tampouco consegue garantir sequer o apoio comprado do Congresso. Muitos já tratam o governo Lula 3 como algo que “descansa em paz”, sepultado pelas derrotas acachapantes desta semana.
Mas, afinal, quem é Jorge Rodrigo Araújo Messias?
Convém adiantar: seu reconhecimento nacional não veio de uma tese brilhante, de uma obra relevante ou de uma conquista institucional marcante. Veio de um telefonema.
Messias, ou “Bessias”, como ficou conhecido, é homem de confiança do PT e, sobretudo, de Lula. Em 2016, ganhou notoriedade após vir a público uma ligação entre a então presidente Dilma Rousseff e Lula. Ele seria o responsável por levar “o papel”: um decreto que nomearia Lula ministro, numa tentativa clara de blindá-lo das investigações da Operação Lava Jato.
Em 2023, já no terceiro mandato de Lula, sua lealdade política foi recompensada com a nomeação para a chefia da Advocacia-Geral da União.
À frente da AGU, acumulou polêmicas que evidenciaram que sua bússola não era jurídica, mas político-ideológica. Foi um dos idealizadores do chamado “Ministério da Verdade”, uma estrutura destinada a definir o que seria “verdade” sob o crivo do governo de ocasião e, não menos preocupante, a perseguir discordantes sob esse pretexto. Nada poderia ser mais fiel a uma distopia orwelliana.
Também atuou, por meio da AGU, contra a proibição da assistolia fetal pelo Conselho Federal de Medicina — método abortivo amplamente criticado pelo sofrimento extremo do bebê. Nos meses seguintes, já em movimento para viabilizar sua indicação ao STF, tentou reposicionar sua imagem, apresentando-se como cristão e contrário ao aborto. Mas sua atuação prática já havia deixado marcas.
Ainda assim, é preciso dizer: não foram essas polêmicas que determinaram sua rejeição.
O que derrubou “Bessias” foi algo maior: o desmoronamento do governo Lula.
Um governo em bancarrota política. Inábil, desorientado, sem articulação. Lula parece hoje mais preocupado com seus discursos desconexos em palanques, suas estratégias eleitorais ultrapassadas e em sustentar o estilo de vida luxuoso de sua primeira-dama, do que em governar de fato.
O mito da infalibilidade política de Lula ruiu. O governo já não impõe sua vontade, não articula sua base, não entrega reformas estruturais e vive à espera de eventos fortuitos que possam lhe dar algum fôlego. Em quase quatro anos, sequer conseguiu organizar uma base sólida no Congresso.
O que se vê é um acúmulo de fracassos.
Lula, outrora celebrado como um “animal político”, hoje se assemelha a um predador envelhecido: perdeu o faro, perdeu o domínio do território e sobrevive de movimentos erráticos e expectativas vazias.
O governo se isolou. Não dialoga de forma eficaz com o Congresso, não constrói coalizões duradouras com outros partidos, não mantém apoio popular consistente. Até mesmo os setores da mídia que antes o protegiam começam, ainda que timidamente, a recuar. O desgaste é visível e parece inevitável.
A rejeição de “Bessias” não é o fim de nada, mas é um sinal claro. Um prelúdio.
Ao que tudo indica, a era Lula já começou a acabar.








































