O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, deixou o comando da pasta nesta quinta-feira (8), após quase dois anos à frente do ministério. A expectativa no governo é de que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seja indicado para o cargo.
A saída já era considerada certa nos bastidores desde o início da semana. Fontes ligadas ao ministério informaram que Lewandowski havia comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda no mês passado, a intenção de deixar o governo por motivos pessoais e familiares.
Na manhã desta quinta, poucas horas antes de confirmar oficialmente sua decisão, Lewandowski participou de uma cerimônia no Palácio do Planalto alusiva aos atos de 8 de janeiro de 2023. No evento, fez um discurso em defesa do Supremo Tribunal Federal e de condenação aos envolvidos nos ataques, sem indicar publicamente que deixaria o cargo.
Contexto da saída
Lewandowski formalizou o pedido de exoneração em carta entregue ao presidente da República, na qual informou que deixará a função a partir de 9 de janeiro de 2026. No documento, afirmou que a decisão foi motivada por razões pessoais e familiares e agradeceu a Lula pela oportunidade de continuar servindo ao país após sua aposentadoria do STF.
O presidente esperava que a saída ocorresse apenas em fevereiro. Com a antecipação, o ministro deixa o cargo sem conseguir avançar em uma das principais propostas da área de segurança do governo, a Proposta de Emenda à Constituição 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública, que está parada na Câmara dos Deputados desde abril de 2025.
Balanço da gestão
Na despedida, Lewandowski declarou ter exercido as atribuições do cargo com zelo e dignidade, mesmo diante de limitações políticas, conjunturais e orçamentárias.
Ele apresentou aos servidores do ministério um balanço das ações realizadas durante sua gestão, destacando o recorde na gestão e alienação de bens apreendidos do crime organizado, iniciativas de enfrentamento à violência contra as mulheres e a implementação do programa Celular Seguro.
O ministro ressaltou o trabalho das equipes da pasta e afirmou sair com a convicção de que deixou bases sólidas para a continuidade das políticas públicas do ministério, com foco na justiça, na garantia de direitos e no fortalecimento da segurança pública.
Trajetória
Aos 77 anos, Ricardo Lewandowski foi ministro do Supremo Tribunal Federal entre 2006 e 2023, indicado ao cargo por Lula. Ele assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública em 1º de fevereiro de 2024, substituindo Flávio Dino, que deixou a pasta para ocupar uma vaga no STF.

















