Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tentaram, nos últimos dias, convencer grandes bancos brasileiros a interceder junto ao governo dos Estados Unidos contra a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, mas a proposta foi recusada pelas instituições financeiras.
A informação, do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, revela a tensão gerada pelas sanções e a repercussão negativa no mercado financeiro.
Recusa dos bancos e o impasse financeiro
A lei americana foi utilizada em julho de 2025 para sancionar o ministro Alexandre de Moraes por violações de direitos humanos, resultando no bloqueio de seus cartões de crédito e na proibição de realizar operações com empresas ligadas ao sistema financeiro dos EUA.
Diante da recusa dos bancos em intervir, o impasse continua, uma vez que as instituições brasileiras correm o risco de sofrer punições internacionais caso ignorem as sanções.
Até mesmo uma tentativa de blindagem, como a oferta de um cartão de bandeira nacional (Elo) pelo Banco do Brasil, esbarrou em regulamentos da própria bandeira, que possui parcerias internacionais e proíbe a emissão de cartões para clientes sancionados.
Reação do mercado e decisão de Dino
A crise se aprofundou após o ministro Flávio Dino decidir que leis estrangeiras não têm validade automática no Brasil, em uma medida vista como uma tentativa de proteger Moraes.
A reação do mercado foi imediata e negativa: o Ibovespa recuou 2,1%, e os bancos perderam cerca de R$ 40 bilhões de reais em valor de mercado. O Banco do Brasil foi o mais afetado, com uma queda de 6% em um único pregão.
Enquanto bancos como Itaú, Bradesco e Santander não se manifestaram, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) segue sem uma posição oficial sobre o caso.