O caso do Banco Master “chegou chegando”, como diz o bom e velho ditado. E o momento não poderia ser mais oportuno: justamente quando se consolidava a narrativa de que vivíamos sob a tutela de supostos “salvadores” de um alegado Estado Democrático de Direito. Algo sobre o qual muito se fala e pouco se vê.
Presenciamos, tempos atrás, a grande imprensa passando pano para abusos sucessivos, sempre sob a justificativa de que o motivo era nobre: salvar a democracia — ao menos, foi o que nos disseram.
Agora, contudo, acabamos por descobrir que grande parte dos que foram chamados de “heróis” não passam — na melhor das hipóteses — de figuras poderosas, integrantes da elite, movidas por interesses pessoais e que, talvez, não sejam exatamente os mais republicanos possíveis.
As ligações políticas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e sócio de diversos outros empreendimentos, escancararam uma teia sofisticada de relações, um network de altíssimo nível, onde poder político, financeiro e institucional se confundem.
A alta cúpula do Judiciário, incluindo uma parte importante dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece no centro dessa engrenagem. É um sinal péssimo para o Brasil.
Nomes como os dos Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e recentemente exonerado do Ministério da Justiça no governo Lula, aparecem associados a episódios que envolvem contratos milionários e decisões de grande impacto financeiro.
Não bastasse isso, esposas e filhos de ministros também figuram nesses contextos. Soma-se a isso o envolvimento recente do senador e líder do PT, Jaques Wagner, ao indicar o ex-ministro do Governo PT, Guido Mantega, para uma assessoria milionária, de contornos pouco claros.
Até quando insistiremos em acreditar que o Brasil é, de fato, um Estado Democrático de Direito, se não podemos confiar plenamente na Justiça, nos representantes políticos, nem na aplicação igualitária da lei?
Aqui é Brasil, meu amigo. Ninguém salvou o Estado Democrático de Direito por um motivo simples:
Ele sequer existia.







































