Os municípios do Paraná gastaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão na contratação de shows artísticos entre 2021 e o primeiro semestre de 2026.
Ao longo dos seis anos e meio analisados, 1.158 artistas, incluindo atrações individuais, duplas e grupos musicais, foram contratados pelas prefeituras.
Apenas seis dos 399 municípios paranaenses, o equivalente a 1,5% do total, não registraram despesas desse tipo com recursos públicos no período.
Os dados estão reunidos no Painel de Gastos com Eventos Municipais, ferramenta recém-incluída no Portal Informação Para Todos (PIT), do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
A plataforma apresenta informações por meio de gráficos, mapas e tabelas e tem como objetivo ampliar a transparência e auxiliar o controle social sobre os gastos e as políticas públicas.
De acordo com o presidente do TCE-PR, conselheiro Ivens Linhares, o painel tem caráter exclusivamente informativo e não faz juízo de valor sobre a pertinência da realização de eventos culturais. Ele destaca que o direito à cultura e ao lazer é assegurado pela Constituição e que a ferramenta permite à sociedade acompanhar as despesas públicas.
Linhares afirma ainda que a legitimidade dos gastos está condicionada à demonstração de finalidade pública, à razoabilidade dos custos, ao alinhamento com políticas culturais estruturadas e à existência de impactos concretos na vida da população.
Comparação com saúde e educação
As informações disponíveis abrangem o período iniciado em 2021 e foram enviadas pelos próprios municípios aos sistemas informatizados utilizados pelo TCE-PR no controle externo da administração pública.
Até o momento, o painel reúne 10.900 empenhos com valores a partir de R$ 20 mil. Os pagamentos foram classificados contabilmente nas categorias Festividades e Homenagens e Contratação Artística e Cultural.
Os filtros permitem consultar despesas por município, ano e mês, além dos valores destinados a cada artista e da fonte contábil utilizada para o pagamento. A ferramenta também possibilita comparar as despesas com shows à receita municipal e aos investimentos realizados em saúde e educação no mesmo período.
A análise identificou situações com indícios de suposto uso indevido de recursos que deveriam ser destinados, por exemplo, à saúde, à educação básica, ao Fundo do Idoso, ao Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) e à iluminação pública.
O TCE-PR informou que instaurará procedimentos de fiscalização nos casos em que for comprovado o emprego irregular de recursos para o pagamento de shows.
Artistas com maiores valores
Fernando e Sorocaba aparecem como os artistas que mais receberam recursos municipais no período, com aproximadamente R$ 18,1 milhões. Na sequência estão Guilherme e Benuto, com R$ 13 milhões; Ana Castela, com R$ 12,6 milhões; Maiara e Maraisa, com R$ 11,2 milhões; e Luan Pereira, com R$ 11,1 milhões.
Também aparecem entre os maiores valores Leonardo, com R$ 10,6 milhões; Clayton e Romário, com R$ 10,4 milhões; Rio Negro e Solimões e Léo e Raphael, ambos com R$ 9,8 milhões; Mato Grosso e Mathias, com R$ 9,3 milhões; e Antony e Gabriel, com R$ 9,1 milhões. Bruno e Barreto, Bruno e Marrone e João Bosco e Vinícius receberam aproximadamente R$ 9 milhões cada.
A média registrada por contratação no período foi de R$ 112,3 mil. O maior volume anual ocorreu em 2025, quando os gastos chegaram a R$ 403,5 milhões. Em 2024, foram R$ 292,2 milhões.
Em 2021, ainda marcado pela pandemia da Covid, foi registrado o menor valor da série, com R$ 25,1 milhões empenhados. Em 2026, considerando os dados disponíveis até o momento, as despesas somam R$ 144,7 milhões.
As transferências realizadas por meio de emendas parlamentares para financiar shows alcançaram quase R$ 4,3 milhões no período, correspondentes a 0,35% do total.
Seis municípios sem registros
Campo do Tenente, Guaporema, Nova Cantu, Paulo Frontim, Pinhal de São Bento e Piraquara são os seis municípios nos quais não foram encontrados registros de despesas com esse tipo de evento, considerando os critérios adotados na elaboração do painel.
O mecanismo utilizado pela equipe técnica do Tribunal para analisar e agrupar os dados contou com processo automatizado de classificação e apoio de ferramenta de inteligência artificial.
O TCE-PR ressalta que as informações compiladas foram enviadas pelos próprios municípios. A responsabilidade pela exatidão dos dados cabe aos representantes legais e aos responsáveis técnicos que realizaram o envio pelos sistemas captadores, conforme estabelece o artigo 239 do Regimento Interno do Tribunal.

















