Tem palavra que só existe na campanha. Austeridade é uma delas. Bonita, forte, responsável, até ganhar a eleição. Depois, vira apenas um enfeite de discurso antigo, daqueles que ninguém faz questão de sustentar.
Em Foz do Iguaçu, a conta é simples e pesada. Mais de 51% de todo o orçamento municipal vai embora só para manter a máquina pública funcionando. São 6.660 servidores e uma folha que consome mais da metade dos quase R$ 2,7 bilhões da cidade. E mesmo assim, falta gente onde realmente importa.
Falta professor em sala de aula, falta profissional na saúde, falta servidor nas áreas mais essenciais para a população. Mas curiosamente não falta cargo. Nunca falta. São quase 200 comissionados, além dos que estão espalhados pelos órgãos indiretos, em um movimento constante de nomeações e exonerações que acompanha o ritmo dos acordos políticos. E como se não bastasse, ainda foram criados centenas de novos cargos, aprovados sem grande alarde, mas com impacto direto na estrutura da administração.
A máquina pública, em Foz, deixou de ser apenas estrutura e virou moeda. Moeda de troca, moeda de apoio, moeda de silêncio. A austeridade prometida na campanha se transformou em um conceito flexível, que se molda conforme a necessidade de acomodar interesses.
E a contradição é evidente. Como pode faltar professor, mas sobrar assessor? Como pode faltar técnico de enfermagem, mas nunca faltar nomeação? A resposta não está na falta de dinheiro, mas na forma como ele é utilizado. Quando mais da metade do orçamento é comprometida com a folha de pagamento, isso deixa de ser apenas um número e passa a ser uma escolha.
O discurso era de enxugar, mas a prática foi de expandir. O discurso era de responsabilidade, mas o que se vê é repetição. No fim das contas, Foz assiste a mais um capítulo de uma velha história. Mudam os nomes, mudam os slogans, mudam as promessas, mas a engrenagem continua a mesma, pesada, cara e distante da realidade de quem paga a conta.
Porque austeridade de verdade não se promete, se pratica. E até agora, o que se vê é apenas mais do mesmo, com um custo cada vez maior.















































