O início de um ano letivo sempre chega acompanhado de promessas. Promessas de recomeço, de novos aprendizados, de cuidado com quem chega e continuidade com quem permanece. Mas promessas não sustentam uma escola. O que sustenta uma escola é estrutura, é respeito e é compromisso com a educação pública.
Quando faltam professores, não falta apenas um profissional em sala. Falta continuidade pedagógica. Falta vínculo. Falta à criança a experiência de aprender com estabilidade, de reconhecer no adulto uma presença que permanece. A ausência constante ensina algo, ainda que ninguém tenha planejado ensinar: ensina que o cuidado pode ser interrompido.
Quando estagiários são colocados para assumir responsabilidades que não são suas, não estamos diante de uma oportunidade formativa. Estamos diante de uma substituição silenciosa, que desloca o lugar do conhecimento e fragiliza o próprio sentido da formação. A escola passa a funcionar em regime de improviso, e o improviso, quando se torna regra, deixa de ser exceção e passa a ser linguagem.
Quando falta merenda, não falta apenas alimento. Falta dignidade. Falta o reconhecimento de que o direito de aprender não pode ser separado do direito de existir com dignidade. Para muitas crianças, a escola é também um dos poucos espaços de segurança material. Quando esse espaço falha, o que se rompe não é apenas uma rotina, é a confiança.
Quando profissionais não recebem o que lhes é devido, o que se enfraquece não é apenas o trabalhador. É a própria ideia de que educar é uma função social essencial. A precarização não afeta apenas quem ensina. Ela reorganiza o valor simbólico do ensino.
A educação não é feita apenas de conteúdos. Ela é feita de experiências. E cada experiência comunica às crianças o que elas podem esperar do mundo.
Uma escola que opera sem o que é essencial ensina, mesmo sem intenção, uma lição difícil: ensina quem pode contar com estabilidade e quem precisa aprender a conviver com a ausência. Ensina o que é prioridade e o que pode esperar.
Quem vive a escola sabe reconhecer quando há investimento real e quando há apenas narrativa. Sabe distinguir o cuidado que se materializa do cuidado que permanece no discurso.
Educação não se improvisa. Educação se constrói com responsabilidade, planejamento e respeito.
Porque, no fim, nunca se trata apenas de estrutura. Trata-se do que decidimos sustentar e do que estamos dispostos a permitir que falte.
E toda falta, quando se repete, também educa.






























