Não sei se deveria me desculpar pela ausência justamente quando o cenário político está acalorado, mas a critério de conhecimento, um luto familiar, somado às burocracias post mortem, e principalmente o cenário mais que conturbado, dificultou a organização dos pensamentos para que eu pudesse expor algo por aqui com a qualidade que os leitores merecem.
Tanta coisa que fica até difícil lembrar todas. O encerramento da CPMI do INSS e a CPI do Crime organizado e todos os desdobramentos inacreditáveis com a interferência do STF nas decisões do Congresso, a histórica e necessária rejeição ao STF do fariseu Jorge Messias pelo Senado, o Dias Toffoli suspeito de ser o relator das fraudes do Banco Master, o déficit das estatais batendo os R$ 3 bilhões, as conversar de Lula com Trump, o Ratinho Junior saindo da disputa eleitora, disputa entre Aldo Rebelo e Joaquim Barbosa e por ai vai.
O interessante é o momento em que estamos. A pré-campanha presidencial já vai tomando forma e ficando cada vez mais acalorada. Flávio Bolsonaro conseguindo ultrapassar Lula nas pesquisas de intenção de voto, a rejeição a Lula aumentando, escândalos envolvendo irmão e filho do Presidente Lula sendo manchete diariamente até que surge um vazamento de um áudio de Flávio Bolsonaro direcionado à Daniel Vorcaro, que dispensa apresentações.
Inevitavelmente me recordei do saudoso mestre, Professor Olavo Luiz Pimentel de Carvalho que tantas e tantas vezes nos ensinou e descortinou acerca da histeria coletiva que a militância esquerdista faz. Todos “lambrecados” de fezes, ficam em silêncio, até que um conservador aparece com uma mancha de mostarda na gola da roupa e eles se juntam, ligam holofotes, pegam seus megafones, esticam suas faixas, levantam as camisetas e tiram os sutiãs para mostrar os peitos em forma de protesto, enquanto isso outra parcela da própria militância, travestidos de jornalistas pegam câmeras, microfones para mostrar o quão sujo está o imundo do conservador com aquela imundície de ½ cm². E os professores marxistas que disto já tiram uma “lição”, não para despertar os alunos para o problema de se sujar, ou de comer sem cuidado, mas para hipnotizar mais ainda as cobrinhas que estão criando em sala de aula.
A esquerda é hipócrita e isto não é novidade, o domínio da comunicação potencializa a capacidade de esconderem suas impurezas. Seria inédito um filme político no Brasil? “O dia que durou 21 anos”, “O doutrinador”, “Terra em transe”, “O que é isso companheiro?”, “Pra frente, Brasil”, “Entreatos”, “Bela noite para voar”. E o que dizer de “Marighella”, “Getúlio”? Tem filme mais um icônico e mais recente, “Lula, o filho do Brasil”, um filme de 2009 que romantiza a história do sujeito.
Em 2009 não se falava do Lula do Mensalão, do PT do Petrolão, do assalto aos idosos do INSS, de Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Friboi/JBS. Se falava de apagão, crise financeira global, gripe A alastrando no mundo, a morte do ilustre Clodovil Hernandes e do também saudoso Luiz Carlos Alborghetti.
Coincidentemente – ou não – estas empresas acima citadas, junto com mais de uma dezena de outras empresas, patrocinaram ou financiaram o filme do Lula. É lógico que neste período não se sabia ainda dos escândalos envolvendo as empresas, os empresários e os políticos do Petrolão. É lógico que é preferível investimento privado em filmes, aos financiamentos da ANCINE – que nem deveria existir. É lógico que é aceitável que estas empresas participem dos lucros das bilheterias, afinal, foram US$ 3,7 milhões de arrecadação, tiveram os inexpressivos alcances de 850 mil expectadores, então evidentemente não era investimento para lavar dinheiro, era a garantia de um retorno atrativo. Quem não investiria neste filmaço? Se fosse hoje, poderia ser feita uma vaquinha online via pix, com a voz da Gleisi Hoffmann que certamente eles teriam números muito mais impactantes.
Há umas semelhanças que apontarei, mas lógico que meu comentário aqui não tem o engajamento da militância cega da esquerda (graças ao meu bom Deus) para fazer reverberar. Antes, você acha que qualquer áudio com o leproso do Vorcaro, seria bom para quem quer que seja? A noiva, separou, o operador Sicário “se matou” na cadeia, os políticos fogem dele como o Lula foge de cortar gasto público. Até o próprio Vorcaro deve estar evitando falar consigo.
Os áudios de Flávio, que o próprio assumiu ter enviado, são de dezembro de 2024 e início de 2025 e vieram à tona em 2026 pelo portal The Intercept Brasil, o mesmo que gestou o fim da operação Lava Jato e beneficiou o ex-presidiário, Lula da Silva. Em 2024 ninguém falava de Banco Master e Daniel Vorcaro, de Tayayá Aqua Resort, do Dias Toffoli, ao contrário, se falava da prisão do mandante do assassinato da Marielle Franco – que não foi o Bolsonaro – o Deputado Brazão, se falava das enchentes no Rio Grande, que Lula pouco fez pelo povo gaúcho, da cadeirada do Datena no Pablo Marçal e se falava das propostas demagógicas do Prefeito Silva e Luna para o Município de Foz do Iguaçu e da sua incapacidade para gerir nossa cidade, o que se tornou real meses depois.
Assim como empresas sujas foram procuradas para patrocinar o filme do Lula, assim também aconteceu com o Dark Horse. A justificativa de ambos os lados foi a mesma: ninguém sabia da imundície das empresas até então. Assim como foi recorrido à financiamento privado para Lula, também ocorreu para o Dark Horse, com uma diferença. Uma pequena diferença há em ambos os casos. Flávio não está na gestão do país para fechar acordos espúrios com patrocinadores, enquanto em 2009, o Lula era presidente do País e com isto, foram firmados contratos de cerca de R$ 407 milhões em obras, equipamentos e serviços – suspeito – para os patrocinadores de seu filme. Imagine um investimento de R$ 12 milhões em um filme que lhe rende R$ 407 milhões em obras, sem contar a participação na bilheteria. Investimento de sucesso. Fracasso mesmo foi o filme, mas o retorno é de invejar os 190% do CDI em CDB de qualquer banco privado.
Não quero dar uma de advogado do Flávio aqui, mal consigo me defender de mim mesmo, mas uma ponta apenas resta nesta comparação. Comprovando que o envolvimento de Flávio ou de qualquer outra pessoa com o Vorcaro e o Banco Master era corrupta, nociva, criminosa, defenderei veementemente a investigação, o processo legal e a rigorosa punição. Diferente da militância que tem bandido de estimação e sem aquela ilusão autoritária, totalitária e picareta do “prendeu matou” que uns garotos inconsequentes têm defendido, eu quero vagabundo na cadeia.


































Cirúrgico, a análise mais sensata até o momento.