O próximo pleito será uma eleição geral, responsável por definir não apenas o ocupante da Presidência da República, mas toda a macroestrutura de poder: governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
Em jogo estará quem comandará o orçamento público e tomará as decisões que impactam diretamente a vida dos brasileiros.
Diante desse cenário, é inevitável a pergunta, o Brasil está no caminho certo? Os estados e a União têm oferecido à sociedade o retorno compatível com os recursos que arrecadam?
A sensação predominante é de desequilíbrio no pacto entre Estado e cidadão. A carga tributária é elevada, mas os serviços entregues frequentemente ficam aquém do esperado.
Esse descompasso, persistente ao longo dos anos, contribui para a descrença e abre espaço para escolhas eleitorais movidas mais pela emoção do que pela análise objetiva.
O eleitor brasileiro, em grande medida, enfrenta uma desvantagem estrutural. Exige-se dele uma decisão complexa, que envolve orçamento, gestão, prioridades e capacidade administrativa, sem que haja amplo acesso à educação política e à compreensão dos mecanismos do Estado.
Não se trata de desinteresse, mas de uma lacuna informacional que fragiliza o processo democrático.
Nesse contexto, a campanha eleitoral tende a se transformar em um espetáculo de marketing, no qual discursos bem ensaiados competem com dados concretos.
Distinguir fatos de narrativas torna-se um desafio central. Separar a trajetória comprovada da promessa vazia será uma tarefa essencial para o eleitorado em 2026.
O debate que se impõe não é meramente ideológico. A experiência recente demonstra que falhas de gestão e incapacidade administrativa não se restringem a um campo político específico. A disputa real será entre a retórica fácil e a efetiva capacidade de execução de políticas públicas.
Promessas ambiciosas voltarão a ocupar o centro do debate eleitoral. No entanto, a pergunta fundamental precisa ganhar protagonismo, como essas propostas serão viabilizadas? Qual a origem dos recursos? Qual o impacto fiscal? Sem respostas claras, compromissos assumidos em campanha perdem credibilidade e se tornam inviáveis na prática.
Embora não seja realista esperar que o eleitorado se torne especialista em gestão pública, é urgente elevar o nível de exigência.
O voto deve ser entendido como uma escolha responsável, baseada em histórico, competência e compromisso com resultados. Avaliar o que foi efetivamente entregue por quem já exerceu funções públicas é um critério mínimo para decisões mais conscientes.
O Brasil caminha para 2026 diante de escolhas que terão efeitos duradouros. A redefinição do poder político exigirá maturidade institucional e atenção aos sinais deixados pelo passado.
Se a decisão coletiva não priorizar responsabilidade, eficiência e preparo técnico, o país corre o risco de perpetuar um ciclo de frustrações.
O momento de qualificar o debate é agora, antes que o ruído das campanhas se sobreponha à análise racional. A democracia se fortalece quando o eleitor dispõe de informação, senso crítico e critérios claros para decidir o futuro que deseja construir.

















