Uma plataforma digital desenvolvida em Maringá reúne conteúdos sobre autismo e outras neurodivergências produzidos com a participação de profissionais de diferentes áreas.
A Neuve foi criada pela psiquiatra Maria Cláudia Bagatin Pismel e pelo psicólogo Gabriel Arndt e lançada em 22 de agosto, após cerca de nove meses de planejamento.
A iniciativa surgiu a partir da experiência de Maria Cláudia com a maternidade atípica. O filho da psiquiatra foi diagnosticado com autismo e, ao longo de 11 anos, ela passou a estudar o tema e identificou a necessidade de ampliar o acesso de outras famílias a informações sobre neurodivergências.
A partir desse contexto, ela se uniu a Gabriel para desenvolver o projeto.
Informação durante a busca por atendimento
A proposta da plataforma é oferecer informações para famílias que, após uma suspeita ou diagnóstico, enfrentam dúvidas sobre profissionais, terapias e os caminhos disponíveis para acompanhamento.
O projeto também considera os períodos de espera por consultas com especialistas, que podem se estender por meses tanto no sistema público quanto no atendimento particular.
Durante essa espera, a internet costuma se tornar uma das fontes utilizadas pelas famílias.
A iniciativa busca concentrar conteúdos produzidos por profissionais e reduzir a exposição do público a materiais sem respaldo científico, falsas promessas e orientações de pessoas sem qualificação adequada.
Conteúdos de diferentes especialidades
A Neuve funciona como um centro digital de conteúdos, com entrevistas, aulas, orientações práticas e relatos de famílias. O acervo inicial reúne gravações de mais de 30 profissionais e inclui pediatras, neurologistas, psiquiatras, neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, educadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas, pesquisadores e profissionais da educação.
Os materiais não são direcionados somente às famílias. Profissionais da saúde e da educação que trabalham com pessoas neurodivergentes também estão entre os públicos da plataforma.
Empresas com pessoas atípicas em seus quadros de colaboradores são outro segmento contemplado pela proposta, com conteúdos voltados à inclusão.
Novos materiais são disponibilizados às segundas e sextas-feiras. A programação contempla entrevistas completas, aulas, podcasts, materiais educativos e vídeos curtos.
Parte do conteúdo pode ser acessada gratuitamente, enquanto a assinatura para acesso completo custa R$ 45,50 por mês.
Expansão para outras neurodivergências
Embora tenha começado com foco no autismo, o projeto prevê ampliar os assuntos abordados para outras neurodivergências, entre elas o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o TDAH, e altas habilidades.
Os responsáveis também planejam desenvolver uma versão da plataforma para dispositivos móveis.
Outra etapa prevista é a criação de um marketplace de profissionais. A proposta é facilitar a localização de clínicas e especialistas voltados às neurodivergências para atender famílias que utilizam a plataforma.
Atendimento profissional permanece necessário
Os criadores destacam que a tecnologia não tem a finalidade de substituir o acompanhamento profissional.
O objetivo do projeto é aproximar as famílias do conhecimento e da busca por atendimento após o diagnóstico, organizando informações para pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais envolvidos nesse processo.

















