A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) começará a oferecer a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), que substituirá a atual VPC10 no calendário nacional de vacinação. A mudança foi formalizada pelo Ministério da Saúde em guia técnico preliminar publicado nesta quarta-feira (27), com orientações para os profissionais de saúde. A aplicação poderá ser iniciada pelos municípios assim que as doses forem distribuídas.
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, e pode provocar desde infecções mais leves, como sinusite e inflamação no ouvido, até quadros graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Mudança amplia cobertura contra sorotipos
A principal diferença da nova vacina é o aumento da proteção contra os sorotipos da bactéria. A VPC20 dobra a quantidade de variantes contempladas em relação à VPC10, ampliando a cobertura contra formas graves da doença.
Dados da vigilância do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves com amostras coletadas entre 2018 e 2023 foram provocados por dois sorotipos não contemplados pela VPC10, mas incluídos na nova formulação.
Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, o aumento recente dos casos está relacionado a uma mudança epidemiológica observada após anos de vacinação.
Com a redução da circulação dos sorotipos inicialmente combatidos, outros passaram a ocupar esse espaço e ganhar relevância entre os casos registrados.
Crescimento dos casos após anos de queda
A vacinação com a VPC10 foi incorporada ao calendário básico infantil em 2010. Desde então, houve redução de 60% dos casos de doença pneumocócica causada pelos sorotipos cobertos pela vacina em crianças de até dois anos. Os registros de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária também diminuíram 65%.
Apesar dos resultados, os números voltaram a crescer nos últimos anos. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou média anual de 164 casos de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos. Entre 2022 e 2024, a média subiu para 211,3 casos por ano.
De acordo com Flávia Bravo, a inclusão dos sorotipos atualmente mais frequentes na nova vacina cria a expectativa de uma nova redução da incidência da doença, especialmente entre crianças menores de um ano.
Proteção coletiva e grupos prioritários
Além de prevenir a doença, as vacinas pneumocócicas conjugadas reduzem a presença da bactéria na nasofaringe das pessoas imunizadas. Com isso, também ajudam a diminuir a transmissão do pneumococo, ampliando a proteção para indivíduos não vacinados.
O Programa Nacional de Imunizações já disponibiliza as vacinas VPC13 e VPP23 para grupos específicos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o encerramento dos estoques.
Entre os grupos considerados de alto risco estão pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, imunodeficientes, pessoas com doenças crônicas dos rins, pulmões, coração e fígado, além de asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down e prematuros.
Esquema vacinal durante a transição
O calendário básico prevê duas doses da vacina pneumocócica aos dois e quatro meses de idade, além de uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de cinco anos que não receberam as doses na idade indicada devem atualizar a vacinação.
Durante a transição entre os imunizantes, crianças que iniciarem o esquema vacinal receberão a VPC20 na primeira dose e no reforço, enquanto a segunda dose poderá ser aplicada com a VPC10. Já aquelas que receberam a primeira dose da VPC10 completarão o esquema com a VPC20 na segunda dose e no reforço.
Também será aplicada uma dose de reforço da VPC20 em crianças menores de cinco anos que concluíram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.
A vacina é contraindicada apenas para pessoas que apresentem alergia grave a componentes da fórmula ou que tenham registrado reações alérgicas severas em aplicações anteriores. Pessoas com febre devem aguardar a recuperação antes de se vacinar.

















