O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendou que cidadãos americanos que ainda estejam no Irã deixem o país imediatamente, diante da intensificação dos protestos contra o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
A declaração foi feita durante visita presidencial a uma fábrica no estado de Michigan.
A fala ocorre após mais de duas semanas de manifestações que, segundo estimativas de grupos de direitos humanos sediados nos Estados Unidos, já resultaram em mais de 2 mil mortes.
Questionado sobre a permanência de cidadãos americanos ou de países aliados no Irã, Trump afirmou que “não é uma má ideia sair” e evitou confirmar qualquer envio imediato de ajuda militar ou diplomática.
Mortes em massa e repressão
Os protestos tiveram início no final de dezembro de 2025, nos bazares de Teerã, motivados pelo aumento da inflação e pela escassez de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango.
Com o avanço das mobilizações, as manifestações ganharam caráter político e passaram a ser descritas como o maior levante contra o regime iraniano em anos.
Organizações internacionais relatam que cerca de 1.850 manifestantes estão entre os mortos, além de integrantes das forças de segurança. A emissora CNN informou não ter conseguido confirmar os números de forma independente, mas imagens e relatos divulgados por ativistas indicam o uso de munição real, espingardas de chumbo e gás lacrimogêneo contra civis.
Como resposta, o governo iraniano restringiu o acesso à internet e às linhas telefônicas, dificultando a comunicação com o exterior e o trabalho de jornalistas.
As autoridades atribuíram os protestos à atuação dos Estados Unidos e de seus aliados, classificando as manifestações como atos de sabotagem.
Crise econômica e revolta popular
O estopim para a onda de protestos foi a decisão do Banco Central do Irã de encerrar um programa de câmbio preferencial, que permitia a determinados importadores adquirir dólares a preços reduzidos.
A medida provocou alta generalizada de preços e desabastecimento, levando comerciantes a fechar estabelecimentos em sinal de protesto.
A adesão dos bazaaris, grupo historicamente associado ao regime, chamou a atenção da imprensa internacional. A tentativa do governo de conter a insatisfação por meio de transferências mensais equivalentes a US$ 7 foi considerada insuficiente, e as manifestações se espalharam por diversas cidades, com reivindicações por reformas políticas, maior liberdade civil e mudanças no sistema judicial.
Resposta do regime e reação dos EUA
Em pronunciamento oficial, Ali Khamenei criticou diretamente Trump e afirmou que o presidente norte-americano deveria “focar em seu próprio país”. O líder supremo negou responsabilidade pelas mortes e acusou o Ocidente de explorar a crise interna iraniana.
Trump declarou que “ajuda está a caminho” dos manifestantes, sem detalhar o tipo de apoio ou mencionar eventual ação militar. O presidente também reconheceu incerteza quanto ao número real de vítimas, afirmando que ouviu estimativas divergentes e que novos dados poderiam surgir nas próximas horas.
Até o momento, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA não anunciaram planos formais de evacuação de cidadãos americanos que permanecem no Irã.

















