ALERTA DE CONTEÚDO: Esta coluna abordará temas relacionados à morte e abandono e saúde mental. Caso você esteja passando por um momento difícil, considere buscar apoio de pessoas de confiança ou ajuda profissional.
Um homem teria permanecido desaparecido por dias dentro de uma estrutura pública de saúde até ser encontrado sem vida nesta semana. As circunstâncias serão investigadas pelas autoridades, e é importante respeitar esse processo. Mas existe uma questão que vai muito além do inquérito. O que me assusta não é apenas a morte. É a invisibilidade.
Porque ninguém desaparece de verdade da noite para o dia. Antes disso, geralmente desaparece das conversas, dos afetos, dos vínculos, das políticas públicas e da preocupação coletiva.
Há anos escrevo sobre saúde mental, solidão, abandono e a forma como nossa cidade trata pessoas em situação de vulnerabilidade. E, infelizmente, seguimos encarando esses temas apenas quando uma tragédia acontece.
Não sabemos ainda o que levou esse homem àquele local. Não sabemos quais eram suas dores, seus medos ou sua história. Mas sabemos de uma coisa: havia um ser humano ali.
Um ser humano que, por alguma razão, passou despercebido.
Enquanto discutimos obras, disputas políticas e discursos de ocasião, continuamos falhando em enxergar pessoas que vivem à margem. Pessoas que precisam de acolhimento, escuta, acompanhamento e dignidade.
Este texto não é sobre apontar culpados antes da hora. É sobre fazer uma pergunta que deveria incomodar todos nós: Quantas pessoas estão desaparecendo emocionalmente, socialmente e humanamente sem que ninguém perceba? Porque, às vezes, a maior tragédia não é a morte. É a indiferença que veio muito antes dela.















































