Há um dado que merece uma reflexão séria por parte de todos nós. Em um levantamento elaborado pelo professor Kossar, com base nos resultados das últimas seis eleições para deputado estadual e deputado federal, fica evidente que Foz do Iguaçu está, aos poucos, deixando de eleger seus próprios representantes.
O problema não é a quantidade de eleitores. O problema é para onde esses votos estão indo.
Os números impressionam. Nas eleições para deputado estadual, os candidatos de Foz receberam 107.354 votos em 2002, 109.438 em 2006, 106.910 em 2010 e 107.571 em 2014.
Porém, houve uma queda brusca para 84.974 votos em 2018, com uma pequena recuperação para 86.440 votos em 2022. Enquanto isso, os candidatos de outras cidades saltaram de 13.235 votos em 2002 para 40.189 votos em 2022.
O mais curioso é que o total de votos permaneceu praticamente estável durante todo esse período, variando entre 120 mil e 128 mil votos. Ou seja, Foz não perdeu eleitores; perdeu votos destinados aos seus próprios candidatos.
O mesmo fenômeno acontece na disputa para deputado federal. Em 2002, os candidatos da cidade receberam 101.947 votos. Em 2022, esse número caiu para 69.175 votos. Já os candidatos de fora cresceram de 18.642 votos para 69.878 votos no mesmo período.
Pela primeira vez, praticamente empataram com os candidatos locais. Enquanto isso, o total de votos também permaneceu elevado, chegando a 139.053 votos em 2022.
Esses números mostram que o eleitor iguaçuense não deixou de participar das eleições. Ele apenas mudou sua preferência, direcionando cada vez mais seus votos para candidatos de outras regiões do Paraná.
As razões para esse comportamento podem ser várias. O próprio professor Kossar aponta algumas delas: a pulverização dos partidos políticos, que aumentou significativamente o número de candidatos, e o avanço das tecnologias digitais, que permitiram a políticos de outras cidades fazer campanha diretamente para o eleitor de Foz com muito mais facilidade.
Mas talvez exista um fator ainda mais importante: a confiança. O eleitor parece cada vez mais descrente das lideranças políticas locais. Ao longo dos anos, disputas internas, projetos pessoais e a falta de união acabaram enfraquecendo as candidaturas da cidade, abrindo espaço para que nomes de fora ocupassem esse vácuo.
Não se trata de defender que alguém deva receber votos apenas porque nasceu ou mora em Foz do Iguaçu. O voto deve ser conquistado com competência, trabalho e credibilidade.
No entanto, é impossível ignorar que uma cidade com a importância econômica, turística e estratégica de Foz precisa de representantes comprometidos com suas demandas. Quanto menor a representação política, menor tende a ser a influência da cidade nas decisões tomadas em Curitiba e em Brasília.
Os dados apresentados pelo professor Kossar servem como um alerta. Eles não apontam culpados, mas revelam uma tendência que merece atenção. Afinal, se Foz continuar transferindo seus votos para candidatos de outras regiões, a pergunta que fica é inevitável: quem defenderá, com prioridade, os interesses da nossa cidade nos próximos anos?



















































