Mal-educado e insolente. São palavras fortes, mas infelizmente não são novidade quando o assunto é o Dr. Nelson Rodrigues, âncora do programa Contraponto, da Rádio Cultura. Ao longo dos anos, vi colegas de imprensa, páginas de notícias da cidade e até eu mesmo sermos alvo de ofensas, ironias e ataques gratuitos. Sempre procurei relevar. Meu coração é bom e, sinceramente, nunca gostei de alimentar conflitos com colegas de profissão. Preferi acreditar que determinadas atitudes falam mais sobre quem as pratica do que sobre quem as recebe.
Mas o que aconteceu no domingo, dia 4 de outubro, após a apuração das eleições, foi diferente.
Para quem não sabe, eu fazia parte da assessoria de mídia da campanha de Paulo Mac Donald, eleito deputado estadual com mais de 45 mil votos. Assim que o resultado foi confirmado, iniciou-se a maratona de entrevistas. A primeira delas seria concedida ao Podcast Guarda Volume, que excepcionalmente naquele dia estava sendo transmitido na ACIFI. Paulo mora a menos de 100 metros do local. Por uma questão simples de logística, era natural que ele passasse primeiro por lá.
Também é verdade que já existia um compromisso agendado com a Rádio Cultura. Em nenhum momento a entrevista foi cancelada. Ela apenas foi reposicionada na agenda, algo absolutamente comum em dias de eleição, quando os horários mudam a todo instante e a demanda da imprensa é intensa. O problema é que essa alteração parece ter sido suficiente para atingir o ego do Dr. Nelson.
Ao vivo, diante dos ouvintes, ele passou a reclamar ao microfone, afirmando que aquilo era uma falta de respeito com a Rádio Cultura. O tom utilizado foi completamente desproporcional aos fatos. Quem trabalha com comunicação sabe que agendas mudam, entrevistas atrasam e prioridades são reorganizadas o tempo todo. Isso acontece todos os dias. Transformar uma questão operacional em um espetáculo público não demonstra compromisso com a informação, mas sim incapacidade de lidar com contrariedades.
Confesso que, naquele momento, para não responder à altura da grosseria que estava presenciando, preferi fazer algo mais inteligente: comi um lanche que estava na rádio, peguei minha bolsa e fui embora.
O que mais me chamou a atenção não foi a reclamação em si, mas a falta de respeito com profissionais que estavam apenas trabalhando. Minha solidariedade ao Magno, à Márcia e a toda equipe do Guarda Volume, chamados de forma pejorativa e desnecessária de “Clandestinos”. Minha solidariedade ao Paulo Mac Donald, que foi colocado em uma situação constrangedora justamente por alguém que se apresenta como seu amigo. Minha solidariedade aos ouvintes da Rádio Cultura e aos inúmeros colegas de imprensa que, ao longo dos anos, também já foram alvo desse tipo de comportamento.
O jornalismo vive do contraditório, da crítica e do debate. Mas nenhuma dessas coisas justifica a falta de educação. Nenhuma delas autoriza ataques pessoais. Nenhuma delas dá licença para transformar o microfone em instrumento de vaidade.
Espero sinceramente que o Dr. Nelson tenha a humildade de refletir sobre o que aconteceu e peça desculpas. Não porque alguém esteja exigindo isso, mas porque reconhecer excessos é sinal de grandeza. Afinal, respeito não é uma virtude que deve existir apenas quando as coisas acontecem do jeito que queremos. É justamente nos momentos de contrariedade que ele se torna mais necessário.
















