O ataque a um terreiro em Foz do Iguaçu nos convida a refletir sobre o verdadeiro significado da diversidade.
Há cidades conhecidas por suas paisagens.
Outras, por sua arquitetura.
Foz do Iguaçu escolheu ser conhecida pela diversidade.
É assim que nos apresentamos ao Brasil e ao mundo: uma cidade de fronteira, onde diferentes povos, culturas, idiomas e religiões compartilham o mesmo território.
Mas diversidade não é aquilo que aparece nas campanhas de turismo.
Diversidade é aquilo que conseguimos proteger quando ela é colocada à prova.
Nos últimos dias, um terreiro de Umbanda em Foz do Iguaçu registrou um boletim de ocorrência após um homem lançar pedras contra o imóvel e proferir ofensas e ameaças de cunho religioso. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
A notícia exige a apuração dos fatos e a responsabilização de quem praticou o ataque.
Mas, para além da investigação, ela nos convida a uma reflexão mais profunda.
Que cidade queremos ser?
Uma cidade não é verdadeiramente diversa porque reúne igrejas, mesquitas, templos budistas, sinagogas e terreiros.
Ela é diversa quando todas essas comunidades podem existir com liberdade, segurança e respeito.
A convivência não se mede pela quantidade de culturas presentes em um território.
Ela se mede pela capacidade de proteger o direito de cada pessoa viver sua fé, suas tradições e sua identidade sem medo.
Respeitar a liberdade religiosa não significa compartilhar da crença do outro.
Significa reconhecer que a dignidade humana não depende da religião que alguém professa.
Talvez esse seja um dos maiores desafios da democracia: aprender a conviver com aquilo que não escolhemos para nós, mas que defendemos como direito do outro.
Foz do Iguaçu tem orgulho de ser reconhecida como uma cidade de encontros.
E esse reconhecimento traz consigo uma responsabilidade.
Porque uma cidade não é definida apenas pelos seus cartões-postais.
Ela também é definida pela forma como reage quando um de seus cidadãos tem o direito de existir, acreditar ou pertencer colocado em risco.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja quem atacou um terreiro.
A pergunta é outra.
Quando a diversidade deixará de ser apenas um discurso para se tornar um compromisso de todos nós?



































